Curitiba - A Polícia Militar (PM) do Paraná abriu ontem as portas de uma de suas 16 academias de treinamento de policiais para mostrar à imprensa como é realizado o curso de formação de soldados. A demonstração foi motivada em reação ao caso da morte da estudante Rafaeli Ramos, de 21 anos, assassinada por policiais militares na madrugada de 13 de julho com um tiro na cabeça. A morte da estudante ocorreu durante uma abordagem mal-sucedida em Porto Amazonas (51 km ao sul de Ponta Grossa).
A demonstração foi feita ontem pela manhã na Academia de Polícia do Guatupê, na BR-277, que liga Curitiba ao Litoral. Entre os pontos discutidos, a eficiência da formação do policial que está nas ruas do Paraná. Segundo o comando da PM, o policial paranaense é um dos mais bem treinados do País, sendo exemplo para corporações de outros estados. Ainda assim, especialistas em segurança pública questionaram a eficiência dessa formação depois da morte da estudante.
Uma das críticas é em relação à diminuição do tempo em que um aspirante a policial passa dentro da academia. Entre os anos de 2004 e 2005, o período caiu pela metade, passando de oito para quatro meses. O coronel Celso José Mello, chefe do Estado Maior da corporação, rebateu as críticas. Ele esclareceu que a diminuição é apenas no período e não na carga horária. Segundo ele, a grade curricular permanece a mesma. ''O ensino é adaptado. A polícia tem de acompanhar o crescimento social'', afirmou coronel Mello.
A mudança ocorreu com a criação do chamado estágio probatório, ou seja, nos outros quatro meses, em vez de estar dentro da academia, o policial complementa sua formação nas ruas. O curso de formação tem uma carga horária de 760 horas, sendo 590 delas de aulas teóricas. No restante do tempo, as aulas são práticas. No estágio probatório, os novos policiais passam a ter contato com a população por meio de grandes eventos, como shows e jogos de futebol. O policial em formação sempre vai para rua acompanhado de outro já formado.
Quando questionado se a diminuição do tempo do curso prejudica a formação, Mello foi enfático. Segundo ele, o policial de hoje sai tão bem formado quanto antes. A morte de Rafaeli Ramos em Porto Amazonas, disse ele, não tem a ver com o despreparo policial. ''O erro de um policial não pode prejudicar a formação de um corporação inteira''', afirmou.
Para Mello, o que ocorreu em Porto Amazonas foi uma falha isolada causada por estresse. ''Em 100 mil ocorrências por ano em Curitiba e 200 mil no Paraná, essa falha não pode prejudicar todo o trabalho'', disse. Segundo ele, a morte da estudante já se tornou um caso de estudo dentro da polícia. A intenção é evitar novas falhas.
Para entrar na PM, uma pessoa passa por concurso público. No último realizado, apenas 3 mil passaram nas provas inciais, em um total de 20 mil inscritos. Dentro do treinamento, o aspirante a policial ainda pode ser reprovado.

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