PM reativa fiscalização no Rio Paraná
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Vânia Moreira Correspondente 
Arquivo/FLQuestão ambientalHá mais de 5 anos, ambientalistas tentam conter criação de gado no arquipélago, que causa danos ambientaisALTÔNIA - A Polícia Militar reativou ontem a fiscalização nas ilhas do Rio Paraná, nos municípios de Altônia e São Jorge do Patrocínio, para evitar o retorno do gado às ilhas. Alguns pecuaristas estão desobedecendo à ordem judicial que proibiu a volta do gado retirado durante a enchente de janeiro. Na semana passada, fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multaram em R$ 5,1 mil o criador Alfredo Berbert, por ter colocado cerca de 60 cabeças na Ilha Grande, no limite entre os dois municípios. Além da multa, Berbert vai responder processo por desobediência judicial.
Há mais de 5 anos, os ambientalistas tentam conter a criação de gado, que está causando danos ao meio ambiente no arquipélago. A quantidade de animais nas ilhas apareceu durante a enchente de janeiro, quando foram retiradas mais de mil cabeças somente em Altônia e São Jorge. Acatando pedido da promotoria, a Justiça proibiu o retorno dos animais nos quatro municípios que compõem a Estação Ecológica de Ilha Grande.
Durante 30 dias, a Polícia Militar manteve 40 homens no arquipélago para garantir o cumprimento da medida. O policiamento especial foi suspenso no final de março. Não tínhamos condições de manter a operação por mais tempo por falta de pessoal, mas diante das denúncias de invasão, reforçamos o policiamento em Altônia e São Jorge, disse ontem o comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar em Cruzeiro do Oeste, coronel Ernani Alves dos Santos. Ele adiantou que se for necessário, a PM retoma a operação anterior.
Menos dinheiroO diretor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Altônia e São Jorge, Paulo Pagão, culpa a morosidade da Justiça pelos problemas com os pecuaristas. Eles já respondem a dezenas de processos, foram multados inúmeras vezes, mas até agora ficou tudo no papel. Segundo Pagão, na prática, ninguém ainda foi punido.
Altônia recebe cerca de R$ 30 mil mensais em ICMS ecológico pela preservação do arquipélago. No ano passado, a verba foi reduzida em R$ 13 mil, devido à presença de gado nas ilhas. Agora, o município corre o risco de perder mais uma fatia do bolo.
Os 20 diretores da APA se reunem hoje de manhã em Altônia com os prefeitos dos dois municípios para tentar encontrar soluções para o problema. Uma das medidas a serem tomadas será cobrar mais agilidade da Justiça na condução dos processos. Segundo Pagão, ainda existem quase 300 cabeças de gado nas ilhas de Altônia e São Jorge. A maior parte desses animais nem chegou a ser retirada durante a enchente por estar em áreas que não alagaram.
O promotor de Altônia Willian Gil Pinheiro Pinto entrou com uma ação pedindo a retirada forçada do gado que permaneceu nas ilhas ou que foi colocado depois da enchente. Para isso, a Justiça precisaria de dinheiro para retirar, transportar, alugar pasto e manter os animais. No último despacho, a juíza Adriana Ferreira questionou se a promotoria assumiria as despesas. O promotor não foi encontrado pela Folha ontem no Fórum.


