O sargento Olvando de Oliveira Branco, comandante do 3º Pelotão da Polícia Militar, sediado em Capitão Leônidas Marques (78 quilômetros ao sul de Cascavel), disse ontem que garante a segurança do ex-comerciante argentino Emilio Hector Gonzáles em uma eventual volta dele ao Paraná. Branco se propôs também a acompanhar pessoalmente Gonzáles se ele decidir visitar a região.
Há quatro anos, Gonzáles, de 46 anos, vive ‘‘exilado’’ em uma cidade paraguaia perto da fronteira com o Paraná, depois de ter morado por quase quatro anos em Boa Vista da Aparecida (município a 30 quilômetros a leste de Capitão Leônidas Marques).
Em entrevista exclusiva à Folha, publicada no último domingo, o argentino diz que não se sente seguro em voltar ao Paraná depois de ter sofrido, conforme denunciou, violência e perseguições das polícias Militar e Civil. A falta de segurança o teria obrigado a fugir do Brasil.
Gonzáles acusa PMs de Capitão Leônidas Marques de tortura, roubo, ameaça, abuso de autoridade, intimidação e preconceito contra estrangeiro. A PM de Boa Vista é acusada por ele de tortura e a Polícia Civil, de prisão ilegal e conivência com a tortura. Esses crimes teriam ocorrido entre 11 de outubro de 94 e o início de 95. ‘‘O Brasil é perigoso para mim’’, declarou Gonzáles. Ele só concordou em dar entrevista com a condição de que o nome da cidade na qual vive não fosse revelado.
‘‘Quero provar a esse cidadão que é seguro voltar’’, afirmou ontem o sargento Branco.‘‘Ele pode vir aqui a hora que quiser, sem sofrer um arranhão nem ver uma cara feia’’, completou.
Branco assumiu o pelotão em abril de 97, mais de dois anos depois da suposta violência contra Gonzáles. Ontem, o sargento disse que só soube das denúncias pela reportagem da Folha. Segundo ele, a maior parte dos policiais que atuavam na área do pelotão na época das denúncias não está mais na região. ‘‘Se os problemas realmente ocorreram no passado, hoje a PM é transparente e não tem essa cara deformada.’’
O comandante afirmou que a região hoje é ‘‘segura’’. ‘‘Ele pode vir com toda a segurança para visitar sua filha. Se preferir, pode se comunicar comigo que irei buscá-lo em Foz do Iguaçu e o acompanho enquanto estiver na região’’, disse Branco. O ex-comerciante argentino tem uma filha - Elisama Paz, de 6 anos - que vive com os avós, em um sítio de Boa Vista da Aparecida.
A Folha tentou contato, ontem à tarde, com Emilio Gonzáles, mas foi informada de que ele está viajando.

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