Um café da manhã especial lotou o centro de eventos do 5° BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Londrina na manhã desta quinta-feira (5) para celebrar a vida e o protagonismo de diversas mulheres que atuam nas forças de segurança em Londrina. O encontro, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, reforça o respeito e a igualdade entre homens e mulheres que atuam em prol da segurança da população.

Com a casa cheia, o comandante do 5° BPM (Batalhão de Polícia Militar), o tenente-coronel Ricardo Eguedis, destacou que as mulheres cuidam de suas casas e de suas famílias, mas também se arriscam nas ruas, seja no calor do verão ou no frio das madrugadas de inverno, para garantir a segurança das pessoas. “A mulher tem o seu lugar em qualquer lugar”, diz.

Ele afirma que, durante o trabalho rotineiro, mulheres e até mesmo crianças questionam se elas poderiam ingressar na carreira policial e se têm permissão para dirigir uma viatura. “Você vê que o entendimento dessa criança, depois do contato com a nossa polícia, vai ser diferente”, explica, destacando que as crianças ficam muito à vontade com as policiais para que, no futuro, possam assumir posições dentro das forças de segurança.

“Nós sempre garantimos que as mulheres têm o direito de dizer ‘sim’ e de dizer ‘não’ e ela pode e deve estar onde ela quiser. Esse é o nosso lema. Nós temos mulheres que são pilotos de helicóptero na polícia, mulheres que são comandantes de pelotões e grupos táticos, e é muito importante que a gente tenha essa sensibilidade feminina porque elas ajudam na resolução de conflitos que nós temos diariamente”, afirma.

Com a presença de mulheres que atuam nas polícias Militar, Civil e Penal e na Guarda Municipal, o café rendeu encontros e troca de experiências em uma carreira antes dominada por homens. Hoje, o efetivo no 5° BPM é de 505 agentes, sendo 61 mulheres nas mais diversas funções.

A cabo Ednéa Santos de Oliveira Longas, 41, foi a primeira mulher no Paraná a assumir a posição de cinotécnica do canil da Companhia de Choque do 5° BPM. A ‘cachorreira’, como é conhecida a pessoa que atua no preparo e na atuação dos cães durante as operações policiais, sempre teve o sonho de trabalhar junto ao canil, mas ouviu de um sargento que aquele não era um lugar para mulheres. “Tinha muito esse preconceito na época”, afirma, citando que ingressou na Polícia Militar em 2013.

Imagem ilustrativa da imagem PM promove encontro de mulheres que atuam nas forças de segurança

Com uma carreira árdua e de muito trabalho, ela precisou romper diversas barreiras para chegar aonde está hoje, principalmente envolvendo a descrença por parte de colegas de profissão. No primeiro curso de ‘cachorreiros’ do qual participou, em Apucarana, ela relata que ao descer da viatura, junto de outras colegas, com a farda do Choque, toda a atenção recaiu sobre elas, mas não de forma positiva. “Todo mundo nos olhou com aquela cara de o que elas estão fazendo aqui”, relembra.

A major Manoella Donadello de Borba Castilho, 40, foi a primeira mulher a comandar a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) no Paraná, assumindo a unidade de Londrina em 2010. Ela, que é de Curitiba, conta que não achou espaço na Rotam do 20° BPM, já que ainda existia a cultura de que mulheres não poderiam assumir equipes táticas.

Em Londrina, segundo ela, encontrou superiores e colegas de trabalho que nunca duvidaram do seu trabalho pelo simples fato de ser uma mulher assumindo um cargo tático. “Graças a Deus eu tive essa sorte de estar com policiais que tinham essa mente aberta e me receberam muito bem, tanto na função de Rotam Viaturas quanto Rotam Motos”, afirma.

Imagem ilustrativa da imagem PM promove encontro de mulheres que atuam nas forças de segurança

Hoje exercendo funções burocráticas, a major celebra o fato de elas servirem de exemplo para outras tantas meninas que almejam seguir nas forças de segurança. Ela conta que sempre recebe a visita de crianças na sede do 2° CRPM (Comando Regional de Polícia Militar) que pedem uma farda ou até mesmo para que as polícias possam ir em suas festas de aniversário. “A gente é um espelho. As crianças se espalham na Polícia Militar”, afirma.

A responsabilidade de ser um exemplo para a atual e para as próximas gerações mostra que Castilho está onde ela deveria estar. “Isso é um sonho de criança, eu sempre quis ser uma policial militar”, conta, citando que não tinha familiares na corporação. “Eu sempre tive muito amor à profissão e ser policial militar é servir”, conclui.

A capitão Maitê Baldan Deliberador Budne, 35, lotada hoje no 30° BPM de Londrina, foi a primeira mulher piloto de helicóptero da Polícia Militar do Paraná. Ela, que estudou em colégio militar, ingressou no curso de formação de oficiais em 2008 e, a princípio, não tinha o sonho de atuar como piloto, tanto que o Batalhão de Operações Aéreas foi criado apenas em 2010, sendo um movimento natural na carreira.

Imagem ilustrativa da imagem PM promove encontro de mulheres que atuam nas forças de segurança

No final de 2016, começou as aulas práticas e teóricas do curso de formação de pilotos policiais. Em um longo processo, a primeira operação policial oficial como piloto foi em setembro de 2018 em uma base de Curitiba com uma aeronave médica.

Para ela, o encontro com outras tantas mulheres que integram as forças de segurança é fantástico. “Revê-las e ouvir as histórias, principalmente das que já se aposentaram da primeira turma, vê-las conversando, interagindo, contando as histórias e sorrindo, então é sempre muito agradável. Só elas sabem o que elas passaram”, afirma, destacando que foram elas que abriram muitos dos caminhos dentro da corporação.

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