O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, diz que vai cumprir os três mandados de reintegração de posse das três áreas invadidas este ano na cidade. Segundo ele, a data da operação de despejo depende da conclusão dos levantamentos que estão sendo feitos pela PM nos locais. A pesquisa está determinando o número de casas e de famílias nas invasões.
O levantamento permitirá que a polícia determine o tipo de ação que será executada, bem como o número de policiais. O tenente-coronel informa que o Comando Central da Polícia Militar deverá ser comunicado do trabalho e poderá emitir alguma sugestão. ''Só dependemos de autorização de Curitiba, caso seja necessário uma tropa maior da que dispomos'', explica. A PM espera que o despejo seja amigável e para isso estará orientando as famílias para a desocupação sem confronto.
A primeira invasão do ano em Londrina aconteceu no início de maio, numa área que pertence ao município, ao lado do Jardim Marieta, zona norte da cidade. Atualmente cerca de 100 famílias ocupam o terreno. A prefeitura obteve no início do mês a liminar de reintegração de posse, que foi suspensa pelo Tribunal de Alçada por meio de um agravo de instrumento interposto pelo advogado das famílias invasoras.
O procurador-geral do município, Carlos Roberto Scalassara, já protolocou recurso de contra razão de agravo, na tentativa de manter a reintegração de posse. Segundo ele, o argumento é que o terreno invadido correponde à área de equipamento comunitário do loteamento, destinada para a construção de praças, creches, escolas, postos de saúde. Scalassara afirma que existe uma legislação federal que determina a criação desse espaço.
Outra ação de reintegração recebida pelo 5º BPM corresponde ao terreno que pertence à Loteadora Tupy, na zona sul da cidade, ocupado em julho por 42 famílias. Os proprietários acreditam na possibilidade de permutar o terreno com a Companhia de Habitação (Cohab), recebendo outro imóvel. O vereador João Dib Abussafi (PRTB), que representa os proprietários, diz que as famílias não permitem a entrada de outras pessoas e estão dispostas a pagar pelos lotes. Abussafi alega que a loteadora não tem condições de urbanizar a área nem assumir o parcelamento do pagamento.
A terceira invasão, ao lado do assentamento São Jorge, zona norte, ocorreu no dia 7 de setembro. A reintegração de posse foi concedida pela Justiça na semana passada. O representante da proprietária do imóvel, Tony Karam, informa que as famílias já teriam sido notificadas, mas elas garantem que não receberam nenhum comunicado judicial.
O presidente da Federação de Assentamentos e Sem-Teto de Londrina e região, José Ricardo da Silva, diz que a intimação veio endereçada a ele, que não mora no local. Mesmo assim, Silva está preparando a documentação para recorrer da decisão. ''Vamos lutar pelo direito à moradia dessas pessoas'', destaca. A federação cadastrou 196 famílias na invasão e outras ainda devem ser cadastradas.

mockup