O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina começou a ouvir ontem o depoimento dos moradores do Assentamento Nossa Senhora Aparecida (zona norte) que acusam a corporação de atuar com violência durante uma operação noturna. As três testemunhas reafirmaram que, na madrugada do dia 17 de abril, os cerca de 30 PMs agiram com truculência, quebraram móveis e agrediram moradores. O comando instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso.
Os depoimentos foram tomados na seda da 2ª Companhia da PM, na zona norte. A primeira testemunha a ser ouvida foi a moradora do Assentamento São Jorge, vizinho ao Nossa Senhora Aparecida. Olivina discordou da versão dos policiais, de que eles invadiram os barracos em busca de suspeitos que estariam atirando no grupo. ‘‘Não houve troca de tiros. A PM chegou atirando prá cima e derrubando as portas. Nós levantamos assustados e presenciamos a ação violenta dos soldados’’, afirmou.
Sandra Mara Nunes e o filho Sharon Wesley, de 20 anos, descreveram detalhadamente como teria ocorrido a invasão do barraco onde moram. Além de bagunçarem totalmente a mobília, os soldados teriam jogado a comida da família no chão e prendido o rapaz sem provas. ‘‘Eles me agrediram e me levaram para a 10ª (Subdivisão Policial), onde fui fichado. Como não havia nada contra mim, fui liberado durante a madrugada’’, afirmou Sharon, que trabalha como auxiliar de pintor.
Para a mãe do jovem, restou o trauma de ver os filhos no chão com armas apontadas para a cabeça. ‘‘Além de quebrarem tudo, ainda tive um corte na testa. Não posso nem ver espingarda’’, comentou Sandra.
O capitão Fábio Luiz Rincoski, escalado para acompanhar o IPM, ouviu os depoimentos e disse que vai convocar os soldados para ouvir a outra versão. ‘‘Temos até 60 dias para juntar documentos, fazer perícias e ouvir os envolvidos’’, explicou. ‘‘O relatório será enviado à Auditoria Militar da Justiça Estadual, que deve decidir sobre o que realmente aconteceu naquela noite’’, acrescentou. Ele lembrou que uma viatura havia sido atingida por um tiro, acertando um retrovisor.
Os moradores estavam acompanhados de representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH). Hoje à tarde, o presidente da Federação dos Sem-Teto de Londrina, José Ricardo da Silva, prestará depoimento no inquérito policial. O assentamento Nossa Senhora Aparecida existe desde de setembro do ano passado e conta atualmente com 128 famílias.

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