Ao contrário do que havia anunciado na noite de segunda-feira, a Polícia Militar não confirmou ontem a morte de quatro detentos na rebelião da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. A Folha cometeu erro ao dar como certa, na edição de ontem, a morte de quatro pessoas. O jornal confiou em uma fonte oficial, no caso a PM, numa situação em que era impossível checar o fato, já que o setor onde concentra-se o motim está sob o domínio dos presos. Ontem, os líderes da rebelião negaram as mortes.
O major Nemésio Xavier da Silva, sub-comandante do Batalhão de Polícia de Guarda, admitiu que foi a Polícia Militar quem deu a informação inicial. Ontem, o major voltou a deixar o assunto nebuloso. Ele disse que a informação das mortes foi repassada por um agente penitenciário à PM e que não há como se comprovar a verdade sem antes entrar no setor ocupado pelos presos. ‘‘Um preso fugiu do controle dos rebelados e chegou até a portaria. Ele falou para os agentes penitenciários que quatro detentos morreram e outros estão feridos’’, declarou. ‘‘Não temos como confirmar essa informação. Pode ser que haja mortos, mas só saberemos ao final da rebelião’’, acrescentou.
O agente penitenciário Itamar Meira de Souza, que descreveu com detalhes a execução dos presos, baseado no relato de um dos detentos, não foi encontrado ontem.
O preso que teria repassado as informações sobre as mortes para os agentes penitenciários foi transferido para o Centro de Orientação e Triagem (COT) da Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, onde não pôde ser ouvido. Qualquer entrevista precisa ser autorizada pela Vara de Execuções Penais (VEP).
Até o início da noite de ontem, nem a Secretaria de Segurança e nem a de Justiça haviam se preocupado em tomar o depoimento do detento que teria anunciado as mortes, para esclarecer o caso. O secretário de Segurança, José Tavares, disse não acreditar em mortes.
De acordo com os líderes do motim, não existe nem existiu qualquer caso de morte. ‘‘Não vai haver, desde que haja uma negociação’’, garantiu o preso Julio Cesar de Morais. O detento Ademar Maboni, disse que a informação é ‘‘irreal’’ e ‘‘partiu da própria PM’’. ‘‘Acho que isso foi uma manobra da Polícia Militar para tentar desmantelar nossa mobilização. Creio que eles estavam planejando uma invasão, o que seria uma catástrofe’’, argumentou.
Morais, conhecido como ‘Julinho’, também conversou por telefone com a reportagem da Folha. Condenado a 73 anos de prisão por assalto a banco e homicídio, ele disse que as mortes estão totalmente descartadas: ‘‘a PM queria justificar uma invasão e mortes.’’
O secretário de Segurança descartou a possibilidade de invasão. ‘‘As informações que temos não nos dão convicção de mortes. A cadeia está nas mãos deles, mas não houve qualquer motivo para mortes.’’
Por volta das 19h30 de ontem a PM disparou vários tiros de advertência, a partir das guaritas, quando um preso tentou chegar ao muro.

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