Até ontem, a Polícia Militar ainda não havia tomado nenhuma providência para esclarecer a informação de que havia mortos na rebelião de Piraquara. O sargento Cicarrelo disse à Folha, por volta das 17 horas, que a Polícia Militar ‘‘não pode fazer nada’’ em relação aos rumores sobre as quatro mortes. ‘‘Não podemos esclarecer o caso se não houve a confirmação e, enquanto a Secretaria de Justiça não permitir a entrada da PM na penitenciária, não temos como investigar nem confirmar nada. Por enquanto, isso é um problema interno do Depen (Departamento Penitenciário).’’
O agente penitenciário Itamar Meira de Souza, que trabalha na Penitenciária Central do Estado (PCE) e deu entrevista por telefone à Folha na noite de segunda-feira, confirmou ontem ter ouvido de um preso, na tarde de segunda-feira, que havia quatro homens mortos dentro do presídio. Ontem, o agente penitenciário contou como recebeu a informação. ‘‘Por volta das 18 horas de segunda-feira, um preso se aproximou do portão externo do presídio e disse que havia quatro mortos lá dentro. Eu e todos os outros agentes que estavam no portão naquele momento ouvimos o que o preso falou’’, contou.
Os detentos da PCE começaram uma rebelião na noite de domingo, depois que a Polícia Militar frustrou uma tentativa de fuga. A informação sobre os mortos foi passada aos agentes penitenciários pelo preso Welington Marcelo Michelake. Anteontem, Michelake e outros 34 detentos foram transferidos para a Prisão Provisória de Curitiba, no bairro do Ahú. Eles afirmavam que corriam risco de vida se continuassem na rebelião em Piraquara. Michelake só pode dar entrevista com ordem judicial da Vara de Execuções Penais (VEP).(Colaborou Michele Muller)

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