PM não acredita que haja extorsão
Luciana Pombo
De Curitiba
O chefe da comunicação social da Polícia Militar, major José Paulo Betes, disse ontem que não acredita que militares estivessem cobrando pedágio de travestis nas ruas centrais de Curitiba. De acordo com ele, o que acontece é a repressão do trabalho dos travestis em ruas residenciais. Todos os dias fazemos a prisão de travestis nas ruas da cidade. Eles são presos por atentado ao pudor ou perturbação da ordem quando existe a reclamação popular, justificou Betes.
De qualquer forma, ele colocou a corporação à disposição para o recebimento de denúncias. Existe um setor só para isto no Comando de Policiamento da Capital. Precisamos que estes travestis venham denunciar. Garantimos que não existe a possibilidade de represálias, declarou o major.
Os quatro policiais militares acusados de espancar até a morte um travesti, conhecido como Kérica, estão sendo ouvidos em inquérito. Eles foram afastados de suas atividades operacionais e realizam serviços internos até o término das investigações. Eles foram identificados como sendo os soldados Marcelo e Chialkoski (do Batalhão de Choque), Alexandro e sargento Daniel (do 13º Batalhão). Nós não passamos a mão na cabeça de ninguém. Se deve, vai ter que pagar. Só não fazemos julgacm
mentos precipitados, justificou Betes.
Testemunha Os militares deverão ser ouvidos na semana que vem pela Delegacia de Homicídios. Esta semana foram ouvidos os amigos da travesti e uma testemunha que teria sido vítima de Kérica. A testemunha, Dirceu Fernandes Júnior que é filho de um oficial da reserva da Polícia Militar foi encaminhada pela própria PM para a delegacia como sendo uma das principais responsáveis pelo crime. Eu o ouvi e verifiquei que ele não tem culpa na morte do travesti. Ele foi ouvido apenas como testemunha, declarou Fauze Salmen, delegado chefe da Homicídios.





