Não é de hoje que a cadeira de comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina tem fama de ser ''difícil''. Apenas durante o atual governo, que assumiu o poder em 2003, cinco nomes diferentes ocuparam o posto na cidade mais importante do Paraná depois da capital. Se ampliarmos para a última década, a função já foi exercida por pelo menos 10 oficiais diferentes, sem contar aqueles que a ocuparam interinamente por poucos dias. A última mudança deve acontecer até o início do próximo mês, quando o coronel Joacyr José da Silva passará o cargo para o tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador.
Quando houve a troca do comando político no Estado no início de 2003, o então tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza foi mantido no posto pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Em junho do mesmo ano, no entanto, Souza foi substituído após ser promovido ao cargo de coronel. Dias antes da mudança ele sofreu um desgaste por causa da morte do estudante Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos. O rapaz morreu atropelado por um ônibus durante um protesto contra o aumento da tarifa em frente ao Terminal Urbano.
Em julho de 2003, o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto assumiu como comandante do 5º Batalhão. Ele permaneceu no cargo até maio de 2005, quando foi substituído após um caso de morte por espancamento envolvendo quatro policiais militares. O comandante classificou o fato como ''acidente de trabalho'' e irritou o secretário estadual de Segurança, Luiz Fernando Delazari, que o substituiu pelo então major Marcos de Castro Palma.
Estrategista e orador hábil, pesou contra Palma o fato de não ter fixado residência em Londrina - sua família vivia em Paranavaí. Ele apresentou suas ações na Câmara Municipal, promoveu cafés da manhã com a comunidade e a imprensa mas ainda assim era criticado por se manter muito distante da cidade. Tanto que na cerimônia de transferência do cargo para o tenente-coronel Joacyr José da Silva, em agosto do ano passado, não deu qualquer declaração.
Silva assumiu com a esperança de melhorar a estrutura - inclusive com aumento do efetivo - da Polícia Militar em Londrina. Foi promovido a coronel e se tornou o único com a mais alta patente da corporação a comandar um batalhão. Mas teve de dividir poder com a criação da 4 Companhia Independente da PM na Zona Norte, comandada pelo tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador.
Agora, Deliberador finalmente alcança o posto que lhe havia sido oferecido quando Silva assumiu. Segundo a assessoria do Comando Maior da Polícia Militar, Silva foi premiado com o comando da Academia Militar do Guatupê e não poderia mais permanecer na antiga função.
A assessoria da PM informou ainda que Silva poderá retornar para Londrina quando for finalizada a descentralização do Comando de Policiamento do Interior (CPI). O plano do Governo, que já está pronto, é criar cinco comandos regionais mas essas alterações estruturais ainda precisam ser votadas e aprovadas na Assembléia Legislativa.

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