PM morre em confronto com ladrões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de maio de 1997
Lucília Okamura 
Mário CésarMorte instantâneaO corpo do policial militar Marcos da Silva Freire, assassinado em confronto com assaltantes em agência bancária: tiro na cabeçaO policial militar Marcos da Silva Freire, 29 anos, foi morto e outras duas pessoas ficaram feridas durante um assalto ao posto bancário do Banestado, no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ontem de manhã. Os três assaltantes agiram em poucos minutos e fugiram levando R$ 5.780,00.
Segundo testemunhas, o assalto aconteceu às 10h30. O posto bancário fica no Centro de Ciências Exatas (CCE), próximo a uma via de acesso à PR-445. Ontem era dia de pagamento do funcionalismo da UEL e cerca de 60 pessoas estavam no banco quando aconteceu o assalto.
O gerente de negócios do Banestado, Elson Aparecido Garcia, conta que em dia de pagamento é requisitado reforço da PM no posto. Ontem, estavam no local os PMs Freire e Roque Mossaniel Moniz, 32 anos.
O delegado que atendeu a ocorrência, Jorge Barbosa, conta que, segundo testemunhas, os assaltantes já chegaram atirando nos policiais, que estavam do lado de fora. Eles não usavam capuz e estavam armados com uma pistola 9 mm e uma escopeta. Freire levou um tiro de escopeta na cabeça e morreu na hora. Seu rosto ficou totalmente desfigurado.
Roque Moniz foi baleado na coxa esquerda. O jardineiro da UEL, José Aparecido Máximo, 47 anos, que estava próximo ao banco, também foi ferido com um tiro no pé direito. Ele e o PM foram levados para a Santa Casa. Segundo o hospital, os dois não correm risco de vida.
O auxiliar de serviços gerais da UEL João Francisco dos Santos conta que estava descontando um cheque quando ouviu tiros do lado de fora do posto bancário. Quando vi, os assaltantes já estavam dentro do banco, relata. Ele observa que se escondeu atrás de um computador, mas, logo depois, correu para fora. Deus me protegeu porque não levei nenhum tiro.
João dos Santos, ainda assustado, informou ter visto um dos assaltantes e o descreveu como sendo de cor de jambo. Ele estava com um colete cinza e carregava uma sacola preta.
Segundo o policial militar aposentado Gessídio de Paula, que estava no banco, o policial morto entrou em luta corporal com um dos ladrões. Gessídio diz ter visto o ladrão tentando retirar o revólver calibre 38 da cintura do policial. Na luta, o PM teria segurado no cano da arma do assaltante, que a disparou.
O delegado Barbosa explica que pelo menos três pessoas participaram do assalto. Um deles ficou do lado de fora e dois entraram no posto bancário. A dupla, segundo o delegado, pulou para o lado de dentro dos caixas, pegou o dinheiro e saiu correndo. Eles teriam fugido em um Fiat Fiorino novo. Algumas testemunhas dizem ainda que os assaltantes estavam também com um Monza, roubado anteontem.
O gerente do Banestado não confirma o valor levado, dizendo que precisa ainda realizar um levantamento. Mas ele acha que a quantia roubada foi pouca, já que não havia chegado a remessa de dinheiro extra referente ao pagamento.
O delegado Barbosa diz que, pela descrição das testemunhas, um dos assaltantes pode ser o ex-PM João Carlos dos Santos, que fugiu do 3º distrito policial (zona oeste), no dia 21 deste mês. Ele estava preso, acusado de assalto a bancos.
O técnico administrativo Sebastião Chagas, que trabalha há 25 anos na UEL, conta que este é o terceiro assalto ao posto bancário do campus. Ele lembra que o primeiro assalto aconteceu há cerca de 15 anos, quando o banco funcionava próximo à reitoria. Naquela vez, eu percebi um tumulto, e resolvi entrar pra ver, quando levei uma coronhada, observa. O segundo assalto, segundo ele, aconteceu há 10 anos e um jardineiro ficou ferido.
No final da tarde, policiais civis e militares de Cambé, Rolândia e Londrina faziam um cerco aos assaltantes em Prado Ferreira (Norte do Estado), onde também ocorreu um assalto ao Banestado, por volta das 12 horas. Foram levados cerca de R$ 8 mil. A polícia suspeita que sejam os mesmos ladrões que assaltaram em Londrina. Até o fechamento desta edição, os assaltantes não haviam sido localizados.


