PM mata pedreiro com tiro no pescoço
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segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaDramaEraldo Brandão, filho do pedreiro: Ele era trabalhador e não devia nada para ninguém. Queríamos dormir cedo para trabalhar na segunda-feiraUm policial militar matou por engano, na noite de domingo, o pedreiro Natalício Brandão do Nascimento, de 59 anos, durante um patrulhamento de rotina na Vila Verde, em Curitiba. Natalício voltava para casa junto com o filho, às 22h30, quando foi abordado pelos policiais, que ordenaram que ambos colocassem as mãos na cabeça. O pedreiro tentava pegar seus documentos dentro do bolso da jaqueta quando recebeu um tiro no pescoço. Ele foi socorrido pelos policiais e levado para o Hospital Evangélico, onde morreu seis horas depois.
O autor do disparo é o soldado Vilmar Kozowiski, do 13º Batalhão da Polícia Militar. Ele e o cabo Ruiz, que chefiava a operação, foram recolhidos ao quartel na manhã de ontem, mas acabaram sendo liberados durante o dia. Segundo o comandante do 13º BPM, Elba Maximiano, o soldado disse que atirou porque pensou que Natalício pretendia sacar uma arma. Ele não obedeceu à ordem de erguer as mãos e os policiais ficaram desconfiados, disse.
O filho do pedreiro, Eraldo Valêncio Brandão, que acompanhou a abordagem, disse que os policiais começaram a discutir entre si após o disparo. Segundo Brandão, o soldado gritava Meus Deus, olha só o que eu fiz, quando o cabo disse para ele ficar quieto porque agora a coisa já está feita. Brandão afirma que o tiro foi dado sem que Natalício pudesse reagir ou dizer qualquer coisa. Meu pai caiu no chão ensanguentado e apenas disse vocês me acertaram, conta.
Eraldo Brandão afirma que seu pai nunca teve qualquer envolvimento com a polícia e tampouco usava armas. Ele era trabalhador e não devia nada para ninguém, disse. Ele conta que os policiais saíram do carro já com a arma em punho quando se aproximaram de seu pai. Segundo o Brandão, ele e o pai já estavam perto de casa quando tudo aconteceu. Havíamos passado o dia fora e queríamos dormir cedo para trabalhar na segunda-feira, disse Brandão, que trabalhava junto com o pai como servente de pedreiro.
O comandante do 13º BPM informou que já ordenou a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as responsabilidades dos policiais na operação. Ele disse que o soldado e o cabo não deverão ser presos até que o inquérito seja concluído. O comandante Elba informou também que o exame de dosagem alcoólica do soldado que efetuou o disparo já foi feito e deverá ter seu resultado divulgado em breve.


