Curitiba

Albari RosaDramaEraldo Brandão, filho do pedreiro: ‘‘Ele era trabalhador e não devia nada para ninguém’’. ‘‘Queríamos dormir cedo para trabalhar na segunda-feira’’Um policial militar matou por engano, na noite de domingo, o pedreiro Natalício Brandão do Nascimento, de 59 anos, durante um patrulhamento de rotina na Vila Verde, em Curitiba. Natalício voltava para casa junto com o filho, às 22h30, quando foi abordado pelos policiais, que ordenaram que ambos colocassem as mãos na cabeça. O pedreiro tentava pegar seus documentos dentro do bolso da jaqueta quando recebeu um tiro no pescoço. Ele foi socorrido pelos policiais e levado para o Hospital Evangélico, onde morreu seis horas depois.
O autor do disparo é o soldado Vilmar Kozowiski, do 13º Batalhão da Polícia Militar. Ele e o cabo Ruiz, que chefiava a operação, foram recolhidos ao quartel na manhã de ontem, mas acabaram sendo liberados durante o dia. Segundo o comandante do 13º BPM, Elba Maximiano, o soldado disse que atirou porque pensou que Natalício pretendia sacar uma arma. ‘‘Ele não obedeceu à ordem de erguer as mãos e os policiais ficaram desconfiados’’, disse.
O filho do pedreiro, Eraldo Valêncio Brandão, que acompanhou a abordagem, disse que os policiais começaram a discutir entre si após o disparo. Segundo Brandão, o soldado gritava ‘‘Meus Deus, olha só o que eu fiz’’, quando o cabo disse para ele ficar quieto porque ‘‘agora a coisa já está feita’’. Brandão afirma que o tiro foi dado sem que Natalício pudesse reagir ou dizer qualquer coisa. ‘‘Meu pai caiu no chão ensanguentado e apenas disse ‘vocês me acertaram’’’, conta.
Eraldo Brandão afirma que seu pai nunca teve qualquer envolvimento com a polícia e tampouco usava armas. ‘‘Ele era trabalhador e não devia nada para ninguém’’, disse. Ele conta que os policiais saíram do carro já com a arma em punho quando se aproximaram de seu pai. Segundo o Brandão, ele e o pai já estavam perto de casa quando tudo aconteceu. ‘‘Havíamos passado o dia fora e queríamos dormir cedo para trabalhar na segunda-feira’’, disse Brandão, que trabalhava junto com o pai como servente de pedreiro.
O comandante do 13º BPM informou que já ordenou a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as responsabilidades dos policiais na operação. Ele disse que o soldado e o cabo não deverão ser presos até que o inquérito seja concluído. O comandante Elba informou também que o exame de dosagem alcoólica do soldado que efetuou o disparo já foi feito e deverá ter seu resultado divulgado em breve.

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