PM mata mulher e filha de 11 meses
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Toledo Foram velados e sepultados ontem sob forte comoção popular os corpos do soldado da Polícia Militar (PM) Valdir Luiz Wessiling, de 30 anos, de sua mulher, a dona-de-casa Valdinéia Aparecida Filipini Wessiling, 23, e da filha do casal, Camile Gabriele Wessiling, de 11 meses. Os três foram vítimas de uma tragédia acontecida na noite de domingo, na casa da família, no Jardim Paschoalli, em Toledo (40 km a oeste de Cascavel).
Segundo análise da Polícia Científica, cuja versão foi confirmada pelo delegado-chefe da Polícia Civil, Alexandre Macorin de Lima, o policial disparou 17 vezes contra a mulher e o bebê. Onze balas atingiram a mulher e três a menina. Depois de cometer os homicídios, Wessiling disparou contra a própria cabeça e morreu.
Quando os socorristas do Corpo de Bombeiros chegaram na casa, apenas o bebê ainda estava com vida, mas morreu a caminho do hospital. A tragédia poderia ser ainda pior caso o outro filho do casal, de quatro anos, estivesse em casa. Na hora do crime, ele se divertia com amiguinhos em uma casa da vizinhança.
Os homicídios e o suicídio aconteceram durante o horário de serviço do policial. Ele passou com a viatura em casa para deixar pão e o leite que havia acabado de comprar na padaria. O colega do soldado que ficou na viatura e os vizinhos ouviram os tiros e logo entraram na casa. O policial ficou em estado de choque com a cena e mal conseguiu pedir socorro, segundo seus colegas que estavam no quartel. Enquanto isso, uma multidão começou a cercar a casa.
Os corpos estavam na cozinha, próximos da porta que dá acesso à lavanderia. Segundo a polícia, o bebê estava junto ao corpo da mãe. A porta estava trancada com um cadeado. O policial, que tinha 10 anos de carreira e era irmão de um investigador da Polícia Civil, estava com a arma do crime uma pistola calibre 38 sob o seu corpo, carregada e engatilhada.
De acordo com o delegado Lima, o crime foi passional. O policial era um homem ciumento e desconfiava de um relacionamento extra-conjugal da esposa. Mensagens de um suposto amante no telefone celular de Valdinéia e a destruição dos aparelhos de telefone da casa fizeram a polícia desconfiar que Valdir flagrou o final de uma conversa telefônica entre os dois.
Alguns familiares e amigos do soldado disseram à polícia que ele passou a monitorar a vida de mulher desde que percebeu indícios do suposto caso. Valdir e Valdinéia eram casados havia dois anos mas a mulher já teria proposto a separação devido às crises de ciúmes.
O delegado-chefe deve ouvir o suposto amante nos próximos dias. O objetivo é confirmar se ele havia ligado para Valdinéia pouco antes do crime. ''Não acreditamos que ele tenha induzido a mulher à traição ou mesmo à separação'', afirmou o delegado.


