Sid Sauer
De Campo Mourão
O menor Adriano Alves, de 16 anos, morreu sábado à noite no centro de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) pouco minutos depois de receber um tiro no peito disparado pelo soldado da Polícia Militar Ciro Domingos Ferreira. Segundo a PM, o menor, suspeito de ter participado de um assalto a residência, estava escondido em cima de uma árvore e, ao receber voz de prisão de Ferreira, pulou na direção do policial com um revólver calibre 38. Foi quando ele levou o tiro.
Em nota à imprensa distribuída ontem, o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar de Goioerê, capitão Davi Faustino, disse que, mesmo baleado, Adriano Alves ainda tentou fugir, só caindo na garagem de uma casa depois de pular um muro. O menor foi levado para o Pronto Socorro Municipal num Ford Pampa pertencente ao dono da casa. Adriano Alves morreu antes de chegar ao hospital.
Segundo a PM, o menor tinha várias passagens pela polícia e pelo Conselho Tutelar de Goioerê, mas vivia solto porque a cidade não conta com um local apropriado para o cumprimento de penas alternativas para menores. Adriano Alves já teria até arrombado a casa de um juiz da cidade. A perseguição contra o menor começou por volta das 22h55 de sábado, a partir do registro do roubo de uma jóia.
A Polícia Militar fez várias buscas pelas proximidades do local do roubo, mas não encontrou nenhum suspeito. Cerca de 40 minutos depois, de acordo com a nota da PM, a cental de operações da polícia recebeu ligações dizendo que os suspeitos estavam nos fundos de uma casa na rua José Bonifácio. Seis policiais foram para o local. Quando o soldado Ciro avistou Adriano Alves no alto de uma árvore, o policial mais próximo estava a cerca de 10 metros do local.
O capitão Faustino informou ontem que Ciro vai ficar temporariamente afastado de suas funções. Ele vai exercer apenas atividades internas até que seja concluído um inquérito policial militar (IPM) aberto pelo comando do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão. O revólver do soldado, com um cartucho deflagrado e cinco intactos, foi entregue na delegacia da cidade para ser submetido a perícia.
O revólver que estava com Adriano Alves tinha o número de registro raspado. A arma estava com quatro cartuchos intactos e um deflagrado. Segundo o capitão Faustino, a ação de menores infratores é atualmente um dos maiores problemas de segurança do município. O principal alvo dos menores têm sido aparelhos de CD de veículos e tacógrafos de caminhões. ‘‘Vários menores já foram presos, mas acabaram liberados pela falta de um local onde pudessem ficar detidos.’’

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