PM mata colega em ação desastrosa
James Alberti
De Curitiba
Num erro grosseiro de abordagem, os sargentos Marciel Emílio Haselski e Manoel de Oliveira Neves, da Polícia Militar, mataram com um tiro pelas costas o soldado Diogo Moreira Camargo, 27 anos, da P2 (serviço reservado da PM). O crime aconteceu anteontem à noite, por volta das 22 horas, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba.
Camargo e outro soldado haviam pedido reforço depois de prender um homem acusado de integrar uma quadrilha de ladrões de carros. Dois assaltantes estavam desaparecidos. Os dois sargentos teriam confundido os policiais da P2, que estavam à paisana, com assaltantes e saíram do carro atirando.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, considerou a ação precipitada e inadmissível. Não conheço o cara, mas alguma coisa de anormal ele tinha. Não é uma pessoa equilibrada como se exige na função, afirmou.
Até ontem não se sabia qual dos sargentos havia feito o disparo fatal. No entanto, Haselski estava muito abalado por acreditar que o tiro que matou o soldado havia saído de sua arma. Uma perícia nos revólveres deve acabar com a dúvida. Ontem coronéis do comando da PM tinham dificuldade para explicar o que havia ocorrido. É meio inexplicável, disse o comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Henrique Sampaio Filho.
Segundo o tenente coronel Antônio Carlos de Paula Ribas, responsável pela investigação do caso, no local do crime haviam quatro soldados, antes da chegada dos sargentos. Dois estavam fardados. Os outros eram da P2. Eles já haviam trancado na viatura o homem acusado de furtar, no dia 17 deste mês, o Peugeot AIC 6641 de Curitiba.
Os policiais da P2 teriam corrido para tentar localizar outros assaltantes. Os soldados fardados corriam atrás. Nesse momento chegaram os sargentos e um soldado, que dirigia o carro. Os sargentos dispararam sem fazer qualquer identificação. O soldado foi atingido na costas e morreu quando era socorrido numa ambulância do Siate.
Justino afirmou ter ficado impressionado porque os sargentos possuem os mais altos níveis de formação da corporação e haviam saído recentemente de cursos de reciclagem. Se os outros policiais fardados corriam atrás dos que estavam a paisana e não estavam atirando, porque eles atiraram?, questiona o coronel.
Os sargentos estão recolhidos no quartel do 13º Batalhão de Polícia Militar. Ambos estão afastados das funções até a conclusão do inquérito policial militar, que vai apurar o crime. Nenhum dos outros policiais ficou ferido. Camargo trabalhava na polícia há sete anos, era casado e tinha uma filha de 3 anos. Ele foi enterrado às 14 horas de ontem, no cemitério Jardim da Saudade, na Cidade Industrial de Curitiba.Policial militar foi morto com um tiro pelas costas pelos colegas que ele chamou para auxiliar em uma prisão
Albari RosaErro FatalO tenente coronel Antônio Carlos de Paula Ribas é o responsável pela investigação do assassinato de um PM à paisana por PMs fardados





