PM mata assaltante e salva refém
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quarta-feira, 14 de junho de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Um homem pratica um assalto, e, na fuga, intercepta um motoqueiro e o faz de refém. A cena, que as pessoas estão mais habituadas a ver na ficção, aconteceu na tarde de terça-feira em Londrina. Foi a terceira pessoa morta por policiais militares só em junho, o que levanta a questão sobre a real necessidade de se atirar contra um criminoso em situações de risco, e como isso é apurado.
Segundo informações da PM, um sujeito armado com um revólver calibre 32, identificado como Roberto Aparecido Sardinha, 24 anos, assaltou uma farmácia no Jardim Cafezal. Na fuga, ele tentou roubar a moto de uma pessoa que passava pelo local e recebeu voz de prisão de policiais da Rone. Sardinha, então, teria colocado a arma na cabeça da vítima. A PM tentou negociar e chamou reforços. O sequestrador recusava-se a se entregar e chegou a puxar o gatilho, fazendo menção de que ia atirar. Antes que pudesse efetuar o disparo, levou um tiro na cabeça, morrendo na hora. O refém não sofreu nenhum ferimento.
Na ficção, esse desfecho é comum e ajuda a aumentar a audiência. Na vida real, o disparo foi uma decisão bastante difícil, e vai ser investigado para apurar se realmente era necessário tirar a vida do assaltante para salvar ao do cidadão comum.
Segundo o tenente Ricardo Eguedis, chefe de Relações Públicas do 5º Batalhão da PM, toda vez que uma pessoa é morta por policiais é instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM). ''Mesmo que comprovada a real necessidade de se dar o tiro fatal, o caso vai para o Judiciário e é avaliado por um promotor público, que tem o poder de oferecer denúncia caso considere necessário.''
Eguedis explica ainda que os policiais do grupo tático recebem treinamento técnico e psicológico para saber como agir em situações de risco. ''Eles são orientados a atirar só em situações extremas'', ressalta. O atirador só age depois de receber uma ordem, e é logo retirado do local, ficando afastado do serviço por alguns dias para poder se recuperar psicologicamente. Sua identidade é preservada, até mesmo por questões de segurança. O tenente esclarece, porém, que no caso de terça-feira os policiais não tinham intenção de matar, mas sim de salvar uma vida, e que eles inclusive tentaram prestar socorro a Pedro.
Essa não foi a única ação dos policiais envolvendo disparo de arma de fogo. Por volta das seis horas de ontem, membros do Serviço Reservado da PM (P2) acertaram dois tiros na perna de Jefferson Cardoso dos Santos, 27 anos, depois que ele fez menção de estar armado enquanto tentava fugir da PM. Santos tinha um mandado de prisão por roubo a residência e foi encontrado em sua casa. Santos foi encaminhado para a Santa Casa.
Mais mortes Na noite de terça-feira, Márcio dos Reis, 22 anos, morreu após levar cinco tiros. Os disparos atingiram o braço, as costas, o tórax e a cabeça de Reis, que estava no Jardim Paulista (Zona Norte). Jeferson de Paula Ortiz, 21, levou três tiros no pescoço e na cabeça, na Vila Santa Izabel. O crime aconteceu por volta da 1 hora de ontem. Nos dois casos, nenhum morador das redondezas soube informar como os homicídios ocorreram.


