Apesar da presença ostensiva da Polícia Militar durante toda a noite de anteontem e o dia de ontem, o clima ainda era de tensão no Assentamento Maracanã e imediações, na zona oeste de Londrina. Anteontem, boatos sobre possíveis retaliações de traficantes ligados a Giovani Cruz, 20 anos, assassinado domingo no local, criaram pânico entre moradores e comerciantes, que fecharam as lojas, bares e até o posto de saúde.
A escola estadual Olavo Garcia F. da Silva permaneceu fechada durante todo dia e cerca de 70% dos alunos da Escola Municipal Noêmia Garcia Malanga deixaram de comparecer às aulas no período matutino. Segundo a diretora da escola municipal, Luzia Catarino, o funcionamento da instituição seria normal nos três períodos. ‘‘Mas ainda existem muitos boatos e as pessoas estão com medo’’, avaliou.
A coordenadora do Centro de Educação Infantil Menino Deus, Elza Maria Nunes de Paula, também notou a diminuição na frequência da creche, que atende cerca de 180 crianças de 0 a 6 anos. ‘‘Hoje temos menos de 100 crianças aqui, frequência equivalente a um dia de chuva forte’’, contou.
O pânico entre os moradores dos Jardins Maracanã, João Turquino, Olímpico e Avelino Vieira, começou na manhã anteontem, durante o velório de Cruz. Segundo moradores do local, que preferiram não se identificar, havia conversas que membros da quadrilha teriam afirmado, no velório, que iriam saquear e metralhar o Supermercado Maracanã, onde o autor do homícidio, o pedreiro Adauto Rodrigues Antunes, 30 anos, teria trabalhado na construção. A história se espalhou com rapidez e tiros disparados contra o supermercado, na parte da tarde, ajudou a aumentar o clima de tensão. Uma viatura da PM passou o dia e a noite em frente ao supermercado para evitar problemas.
Ontem, o proprietário do mercado, Edson Fernandes Silva, reabriu o estabelecimento e tentava voltar à vida normal. ‘‘A gente ficou meio preocupado, passamos a noite acordado, mas acho que não vai acontecer mais nada’’, disse. Ele afirma que não sabe de onde surgiram os boatos, mas que não têm nada a ver com a morte de Cruz. ‘‘O cara que matou ele só trabalhou na construção do prédio do mercado, eu nem conhecia ele’’, afirmou.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, os moradores não precisam entrar em pânico porque tudo não passa de boatos. ‘‘Mesmo assim, estamos mantendo uma viatura 24 horas no local além de várias outras circulando pelas imediações’’, afirmou. Segundo Guimarães, o policiamento ostensivo não tem data para ser suspenso. ‘‘Antes disso, já tínhamos a intenção de manter uma viatura lá dia e noite, mas por alguns problemas técnicos ainda não havíamos conseguido. O episódio apenas apressou as coisas’’, disse.

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