A Polícia Militar está tentando evitar que seja necessário o despejo para o cumprimento de ordem judicial de reintegração de posse em 220 terrenos do Jardim Gramado, bairro de classe média-alta, na região central de Cascavel. Esta é a ocupação urbana (feita em fevereiro) de maior repercussão em todos os tempos, porque há forte resistência de antigos moradores do bairro, que não querem ter os sem-teto como vizinhos. A PM está mantendo desde o final da semana cerco na área, impedindo a entrada de cargas de material de construção, para que os sem-teto não possam iniciar ou concluir a construção de moradias.
Empresas fornecedoras de material estão sendo alertadas pelo comando do 6º BPM de que seus caminhões não terão acesso aos terrenos ocupados. As famílias, que inicialmente se instalaram sob a lona preta, foram informadas que, se deixarem o local espontaneamente, as moradias em obras ou já prontas (de baixo padrão e até mesmo barracos) serão desmanchadas com auxílio de pedreiros e carpinteiros, e o material será levado para onde desejarem. O esquema foi organizado entre o 6º BPM e a empresa Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, de Porto Alegre (RS) - antigo banco Sulbrasileiro.
O comandante do batalhão, tenente-coronel Ailton Lino da Silva, garante que está havendo ‘‘a devida cautela’’ para o cumprimento da reintegração de posse, obtida pela empresa logo após a ocupação, ‘‘porque sem dúvida ela envolve uma questão social’’. Mesmo assim, salienta que ‘‘a lei está aí para ser cumprida’’. As famílias receberam prazo (até o final da semana) para deixar os terrenos, pois de outra forma o despejo efetivamente ocorrerá e as construções serão demolidas. A PM também está preocupada com conflitos entre os ocupantes e antigos moradores.
Famílias que residem no Jardim Gramado não aceitam a vizinhança de barracos ou casas de baixo padrão, mesmo que nos últimos anos os terrenos tenham permanecido cobertos pelo matagal. Os imóveis foram incorporados à empresa, como originários de créditos do antigo banco Sulbrasileiro. Segundo Silvio Gonçalves, que liderou a ocupação, os sem-teto tinham disposição de negociar a compra dos terrenos, mas não podem pagar o que a empresa quer - cerca de R$ 15 mil para cada um. Silvio atualmente está em local ignorado, pois é procurado pela PM como ‘‘incitador de invasão’’.

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