PM investiga facilitação em resgate
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Telma Elorza De Londrina 
Até o final da manhã de ontem, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Gilson Garret Algauer, não havia sido comunicado oficialmente sobre a fuga do traficante Gilberto Monteiro (foto), 37 anos, ocorrida na tarde de anteontem, no centro de Londrina. O delegado-chefe esperava que o diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Raimundo Hiroshi Kitanishi, fizesse a comunicação até o meio da tarde para então nomear o delegado que irá apurar as circunstâncias da fuga.
Somente no início da tarde, o delegado-adjunto João Eduardo Carula, pode informar que as investigações ficaram a cargo da delegada titular do 1º Distrito Policial, Waldete Testone. Além disso, a PM ainda investiga, internamente, se houve conivência ou facilitação do resgate por parte dos policiais.
Gilberto Monteiro foi resgatado por uma dupla armada quando chegava em uma clínica médica na Rua Souza Naves, na área central, para uma consulta com um dermatologista. O traficante estava escoltado por dois policiais militares e um agente penitenciário, que foram rendidos juntamente com os pacientes da clínica. A dupla fugiu com Monteiro, levando as armas dos policiais.
Condenado a 25 anos de prisão por tráfico de drogas, Monteiro cumpria pena na PEL desde junho de 1999. Ele fazia parte da quadrilha de José Morandi (ex-prefeito de Guaraci), desbaratada pela Polícia Federal em outubro de 98, a partir de uma apreensão de 110 quilos de crack, no posto fiscal de Charles Naufal, em Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio). Esta foi a maior apreensão de crack já registrada no Estado.
Monteiro era considerado o chefe-operacional da quadrilha e o único que ainda estava preso. José Morandi, mentor intelectual da quadrilha, e seu filho Marcelo foram soltos da cadeia de Cornélio Procópio no final de dezembro de 98 através de um habeas-corpus, expedido pelo Tribunal de Alçada de Curitiba. Em maio de 99, o mesmo tribunal determinou novamente a prisão dos dois, mas eles fugiram.
Segundo o delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, João Luiz do Prado, a fuga de Monteiro é um complicador na luta contra o tráfico de drogas na região. Existe o tipo de delito onde a pessoa age por ambição, como é o caso do tráfico de drogas. O traficante dificilmente deixa um negócio lucrativo já que ele não tem nenhum problema de consciência, afirmou. Monteiro tem várias passagens pela polícia dos Estados do Paraná e São Paulo por tráfico de drogas. Também era fugitivo da cadeia de Jundiaí (SP).


