PM intensifica ação em bairros violentos
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terça-feira, 08 de dezembro de 2009
Carolina Avansini e Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Policiais da 4 Cia Independente da Polícia Militar (PM) intensificaram desde ontem a atuação nos bairros Marieta, Vivi Xavier, Santo André, Maria Lucia, Leste-Oeste e Santiago, nas regiões Norte e Oeste de Londrina. De acordo com o subcomandante da corporação, capitão Nelson Villa Junior, a decisão foi tomada depois do registro de cinco homicídios em locais próximos a esses bairros em menos de uma semana. A PM suspeita da ação de quadrilhas rivais.
O reforço ao policiamanto regular já realizado pela PM nesses locais será feito com viaturas da Rotam. ''Além disso, ações de inteligência que visam uma resposta mais pontual às ocorrências serão aplicadas a curto prazo.'' Ele relatou que as mortes podem resultar de acertos de contas entre quadrilhas rivais. Segundo ele, a utilização de pistolas da mesma marca e calibre em dois duplos homicídios registrados na tarde de anteontem e na quinta-feira passada indicam que os assassinatos podem ter sido cometidos pelo mesmo grupo.
Enquanto a polícia tenta conter a violência, os moradores reagem a seu modo, tentando se proteger dos roubos e do tráfico, muitas vezes feitos à luz do dia. ''A gente nem vê o que acontece, porque chega do trabalho e já fica dentro de casa'', esquiva-se um morador de bairro vizinho ao Marieta, considerado por muitos o mais violento da região atualmente.
''A coisa está mudando muito. A violência de lá (Marieta) já reflete por aqui'', diz um microempresário do Vivi Xavier. Morador antigo do bairro, ele conta que ficou 20 anos fora e voltou há três anos. ''A violência só tem aumentado, sempre motivada pelo tráfico de drogas. A gente tem que cuidar para não deixar nada à vista, senão roubam mesmo'', conta ele, que há cerca de um ano teve o carro levado da porta de casa.
Um recicladora que mora no bairro há mais de 20 anos revela que por ali é possível comprar qualquer aparelho eletrônico por ''15, 20 reais''. Segundo ela, TVs, DVDs, celulares, toca-CDs movimentam o comércio informal e abastecem o tráfico. ''Tem assassinato quase todos os dias e ouvir tiro já faz parte da rotina. Tem muito menino de 12, 13 anos, que a gente viu crescer e já está tudo perdido na droga'', revela uma comerciante.
No Jardim Marieta, quem chegou há muito tempo, antes da violência e das invasões, revela as dificuldades do dia a dia. ''Quando dá cinco e meia da tarde a gente já se tranca em casa e não sai mais. Me sinto uma prisioneira, se pudesse voltava para Pernambuco, que é minha terra.''


