PM fica sem combustível e pára em Ponta Grossa
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sexta-feira, 23 de março de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
Os policiais que integram 1º Batalhão da Polícia Militar com sede em Ponta Grossa precisaram trabalhar a pé. Ontem, por causa da falta de combustível, todas as viaturas foram encostadas. Em três meses essa é a segunda vez que falta de combustível. Nos módulos, o que se via eram policiais militares sentados ou fazendo ronda nos arredores, mas sempre a pé.
Os cidadãos que recorreram ao telefone de emergência da polícia para pedir ajuda ouviram um pedido de desculpa. Se o reclamante tinha carro, a orientação era para que a pessoa se deslocasse até o módulo mais próximo e desse uma carona ao policial.
O frei Tadeu Luiz Fernandes, responsável pelo Seminário Nossa Senhora da Esperança, foi uma das pessoas que precisou da polícia e não foi atendido. Ao chegar pela manhã no seminário, descobriu que a casa tinha sido arrombada. Para piorar a situação, quando ligou para a polícia descobriu que não poderia ser atendido. É um absurdo o descaso do governo com a segurança pública.
O 1º BPM atende 25 municípios. Para isso, conta com quatro companhias. A situação mais grave é a da 1ª Companhia, que atende Ponta Grossa e o distrito de Guaragi, onde o policiamento com viaturas está suspenso. Nas demais companhias, a situação ainda não chegou ao extremo porque a PM conta com ajuda da sociedade. O capitão Júlio Richter Neto, que responde pela 3ª Companhia, com sede em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), disse que desde o relatório, datado de 15 de março, os oito municípios que estão sob sua atenção já mostravam a falta de combustível da cota do Estado. O Conselho de Segurança de Telêmaco é um dos mais atuantes do Paraná, e por isso não precisamos parar, conta.
Em Irati (120 km ao sul de Ponta Grossa), o sargento Norival Prestes, da 3ª Companhia da PM, conta que até mesmo as instituições bancárias estão colaborando para evitar que as viaturas tenham que ficar encostadas. A cota do Estado acabou no início do mês. A 3ª Companhia responde por 12 cidades ao redor de Irati.
A 4ª Companhia, com sede em Castro (45 km de Ponta Grossa), responde por sete cidades, numa área que vai até Sengés, na divisa com São Paulo. A cota de combustível repassada pelo Estado terminou há cerca de 40 dias. Em Castro, a própria prefeitura tem colaborado, além de outras entidades, como conselho de segurança e bancos.
No fim da tarde de ontem, a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança informou que está liberando R$ 19 mil para o 1º BPM, recurso do Fundo da Polícia Militar, suficiente para a aquisição de 15 mil litros de combustível. Esses 15 mil litros devem ser suficientes para a PM se locomover pelos próximos 90 dias.


