CAMPO MOURÃO - Cerca de 150 policiais do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão, que abrange 25 municípios, concluíram ontem um curso para evitar abordagens violentas nas ruas. O evento havia começado há três semanas, dez dias antes de vir a público os abusos cometidos pela PM de Diadema (SP). Em mais de 10 horas de ‘‘aulas’’, eles receberam informações principalmente sobre os direitos humanos e constitucionais.
‘‘Os policiais já sabem como se comportar. Procuramos apenas aperfeiçoá-los e conscientizá-los’’, explica o instrutor, o advogado e professor de direito penal, Robervani Perin do Prado. ‘‘Os PMs trabalham junto à comunidade e precisam estar preparados para proporcionar segurança’’. Ele acredita que o curso pode, pelo menos, diminuir os excessos.
E se uma pessoa reage ao ser abordada? Prado orientou os policiais que tratem os abordados proporcionalmente à maneira que são tratados. ‘‘A PM trabalha com situações críticas, mas também aborda pessoas de bem’’. Os policiais vão receber um certificado pela participação na instrução. ‘‘Ninguém vai poder alegar que não sabia que determinada atitude era abusiva’’, diz o capitão César Vinícius Kogut.
Atualmente, três policiais militares estão afastados dos serviços em Campo Mourão. Dois deles estão detidos no 11º BPM e respondendo a inquérito policial militar. Eles trabalhavam em Farol (25 quilômetros a oeste de Campo Mourão) e agrediram há cerca de 15 dias um homem inocente. A vítima chegou a ficar internada na UTI de um hospital da cidade, mas a família não quis denunciar o caso à imprensa. Os dois podem ser expulsos da PM e até pegar cadeia.
Escolas A PM de Campo Mourão começa um trabalho diferente segunda-feira para evitar que estudantes fiquem na frente dos portões das escolas durante horário de aula. Todos terão nome e endereço anotados para posterior comunicado aos pais. Em se tratando de menores, uma cópia será encaminhada ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente. ‘‘Queremos fazer um trabalho em conjunto com os pais’’, explica o capitão César Vinícius Kogut.
Segundo a PM, os pais não sabem que os filhos ficam fora da sala de aula. ‘‘Eles acabam ficando à mercê de traficantes e outros marginais’’, reforça Kogut. Segundo ele, são comuns as reclamações de diretores de escolas contra a aglomeração de pessoas em frente às escolas. A PM tem apenas uma viatura e quatro motos para patrulhar as escolas da cidade.

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