PM expulsa sem-terra do Centro Cívico


Emerson Cervi e Leandro Donatti
De Curitiba
Uma megaoperação da Polícia Militar do Paraná acabou com o acampamento sem-terra em frente ao Palácio Iguaçu ontem pela manhã. A desocupação da Praça Nossa Senhora Salete começou às 6 horas e foi respaldada por uma ordem de reintegração de posse, obtida pela Prefeitura de Curitiba. O governo do Estado destacou cerca de 750 policiais militares para despejar os sem-terra acampados no Centro Cívico há 172 dias.
Sob o ponto de vista policial, a operação foi um sucesso. Os líderes sem-terra foram pegos de surpresa e não tiveram alternativa senão desocupar a área e embarcar nos ônibus. Houve tumultos na tentativa de líderes do lado de fora, de impedir o despejo. Oito pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e dois policiais militares foram presos durante a operação, que durou uma hora e quinze minutos. O Centro Cívico, onde está localizada a praça, ficou bloqueado a partir das 3 horas da madrugada até as 7h15. Só no final o comando da PM autorizou a entrada de jornalistas e de líderes sem-terra na área desocupada.
Darci Frigo, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e o principal líder do MST no Estado, Roberto Baggio, foram rendidos no chão por policiais militares. Para Baggio, a ação policial ‘‘azedou’’ as negociações entre MST e governo do Estado. O governador Jaime Lerner (PFL) disse à Folha que o despejo do Centro Cívico ‘‘é uma questão pontual’’ e que as negociações continuam com o MST.
A advogada Andressa Caldas, da Rede de Advogados Populares, também envolveu-se em tumulto. Ela, assim como outros líderes ligados ao MST, foram impedidos de acompanhar a operação por um cordão de isolamento. O MST questionou a legalidade da operação e a validade da ordem de reintegração de posse. Darci Frigo foi levado preso para o 4º Distrito Policial de Curitiba, por discordar da forma como a desocupação foi planejada.
Andressa Caldas disse que a ordem de reintegração de posse não tem validade porque a prefeitura perdeu prazo para apresentar argumentos contra recurso do MST ao Tribunal de Justiça. Esse prazo teria terminado no dia 4 de outubro. Às 10h40, a Praça Nossa Senhora Salete estava totalmente limpa. Foram retirados 40 caminhões de ‘entulhos’ do local.
O governo mobilizou uma frota de ônibus para transportar os sem-terra que, segundo a Secretaria da Segurança, retornarão aos assentamentos e acampamentos de origem. Os ônibus começaram a deixar Curitiba por volta das 6h30, com diversos destinos. O comandante da operação disse que havia menos de 500 sem-terra no acampamento. A coordenação estadual do MST garante que eram mais de 800. A PM levou os sem-terra para 13 microrregiões diferentes do interior do Estado.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, acompanhou a ação policial no Palácio Iguaçu. Ele desmentiu que as pressões da União Democrática Ruralista (UDR), exigindo o cumprimento das ações judiciais contra o MST, tivessem antecipado a desocupação da praça. Cândido Martins afirmou que o governo continua esperando uma solução pacífica para as fazendas invadidas pelo MST no interior do Estado. (Colaborou Zeca Correa Leite)Operação iniciada às 6 horas de ontem envolveu 750 soldados. Oito pessoas ligadas ao MST e dois policiais foram presos
Albari RosaMEGAOPERAÇÃOO início da operação, às 6 horas da manhã: Praça Nossa Senhora Salete foi cercada por soldados e viaturas da Polícia MilitarAlbari RosaPoliciais fazem barreira com viatura e orientam motoristas para fazer desvio do local da operaçãoKraw PenasCordão de isolamento formados por soldados da PM na Praça Nossa Senhora Salete, que por volta de 10h30 já estava desocupada e limpa

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