PM é suspeito de morte de empresário
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A citação do tenente Alberto dos Santos nos relatórios da CPI que investigou a ligação do governo do Rio Grande do Sul com bicheiros pode ajudar a reforçar os indícios de seu envolvimento na morte do empresário de Curitiba Almir José Hladkyi Solarewicz, 45 anos, em setembro de 2000. O policial militar foi indiciado há duas semanas pelo delegado do 6º Distrito Policial de Curitiba, Gerson Machado, por suspeita de participação em outros crimes.
Santos está preso no Batalhão de Guarda da Polícia Militar sob acusação de ter participado do incêndio criminoso contra a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em dezembro de 2000. Ele foi afastado de suas funções, mas a PM aguarda o desfecho do processo para decidir sobre sua expulsão do quadro do 13º Batalhão, onde estava lotado antes de ser detido.
Machado informou, ontem, que encaminhou ofício à polícia de Porto Alegre, pedindo cópias de todo material reunido pela CPI, em que apareça o nome do tenente e dos bicheiros Fúlvio Pinto e Francisco Feitosa, acusados pela viúva e filho da vítima de terem sido os mandantes da execução de Solarewicz.
O empresário ajudou a criar a Cooperativa do Jogo do Bicho, em Curitiba, e começou a trazer os primeiros caça-níqueis para a Capital. Um ex-funcionário de Solarewicz declarou na ocasião do assassinato que isso teria enfraquecido o movimento dos bicheiros, já que os prêmios pagos pelas máquinas eram maiores.
O delegado disse que indiciou Alberto dos Santos por seu suposto envolvimento no roubo de máquinas caça-níqueis, há cerca de dois anos, e também no assassinato de três pessoas, em Paranaguá, no Litoral do Estado, que também teriam ligação com o jogo do bicho. Um dos fatos que liga o tenente a chacina, segundo Machado, é o depoimento de uma testemunha que teria visto o carro do policial se afastando do local do crime.
Outras duas pessoas já estão presas também acusadas de participação na morte do bicheiro. Otaviano Sérgio Carvalho de Macedo conhecido como ''Serginho'' e o ex-sargento da PM, Monfredo Flores Mondragon. Durante as investigações, relatou Machado, a polícia descobriu o envolvimento de Serginho na morte do traficante Ronaldo Costa o ''Papagaio'' , em setembro de 2000, em Pontal do Paraná, no Litoral.
Machado aguarda o retorno do inquérito policial de mais de 1,4 mil páginas, que está em poder da Justiça, para anexar o restante das provas que reuniu contra o tenente Alberto do Santos.


