Milton DóriaDor e RevoltaMais de 700 pessoas acompanharam o sepultamento do PM: esposa teve que ser sedada para participar do cortejo, que seguiu da área central ao Cemitério Jardim da Saudade, na zona norteCerca de 700 pessoas acompanharam o enterro do soldado da Polícia Militar, Marcos da Silva Freire, 29 anos, morto na manhã de sexta-feira durante um assalto ao posto do Banestado, localizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O clima era de revolta e triteza. A viúva Dileá Máximo Freire teve que ser sedada para acompanhar o cortejo, que saiu da capela 2 da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf) na área central, até o cemitério Jardim da Saudade, na zona norte de Londrina. Freire foi sepultado com honras militares, tendo sobre o caixão a bandeira do Brasil. O caixão foi levado até o cemitério em um carro de bombeiro.
O comando do 5º Batalhão da Policia Militar vai oficiar ao comando geral da PM, que Freire seja promovido pos-morte ao posto de cabo. Ele morreu no cumprimento do dever.
O segurança da empresa Principal Vigilante, Devanir Pereira, disse que viu o soldado ser morto. Ele estava prestando serviços no posto bancário quando ocorreu o assalto. ‘‘Deu a impresssão que o Freire reconheceu o bandido, pois os dois ficaram frente a frente. O assassino pareceu surpreendido e disparou a arma’’, disse Devanir Ferreira.
Freire foi assassinado com uma espingarda calibre 12, cano serrado. O disparo acertou-lhe a parte superior direita do rosto. Ele teve morte instantânea. O vigilante mostrava-se nervoso e disse que estava apenas armado com um revólver calibre 38, impossível de enfrentar os ladrões, que usam armas pesadas. Segundo testemunhas, o roubo foi praticado por três homens. Um deles seria o ex-PM João Carlos dos Santos, fugitivo do 3º Distrito Policial de Londrina.
Ficaram feridos, durante o tiroteio em frente ao banco, o também PM Roque Moniz, com um tiro na coxa esquerda, e o jardineiro da UEL, José Aparecido Máximo, que acabou atingido no pé. Devanir Ferreira afirmou que estes tiros foram disparados por um outro assaltante que ficou atrás de uma árvore durante a confusão. No momento do roubo, 63 pessoas estavam no posto bancário. Era dia de pagamento dos funcionários da UEL, mas o carro que deveria trazer o dinheiro não havia chegado ao local.
Os ladrões roubaram R$ 5.780,00 que estavam nos caixas, e fugiram em um Monza. Este veículo foi encontrado abandonado em um canavial, na região conhecida como Estrada da Prata, entre Cambé e Rolândia. Policiais Militares e Civis fizeram um cerco no local mas não conseguiram prender ninguém.
Durante o enterro do soldado Freire a maior revolta entre os presentes era pela falta de segurança de determinadas agências bancárias da Cidade e o armamento obsoleto usado pelos PMs para enfrentar bandidos.
O major reformado da Polícia Militar e presidente da Câmara Municipal, Adalberto Pereira, disse que amanhã irá encaminhar um ofício para o prefeito Antonio Belinati, para que ele mande fechar as agências que não estão obedecendo a lei municipal, que obriga os bancos a terem um esquema de segurança. ‘‘É uma vergonha e desrespeito dos banqueiros para com a segurança dos clientes e dos próprios policiais que trabalham para garantir o patrimônio deles (dos banqueiros). O prefeito Belinati deve tomar medidas urgentes e até fechar as agências bancárias londrinenses que não possuem dispositivos para preservar a integridade dos seus usuários e vigilantes’’.
O major também criticou a falta de armamento mais moderno e pesado para a polícia enfrentar os criminosos. O policial militar usa, em serviço, um revólver calibre 38.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, também concorda com o major Adalberto, principalmente em relação à falta de segurança dos bancos. ‘‘Não adianta colocarmos nossos policiais em frente aos bancos se estes locais não possuem nenhuma segurança. Veja o que ocorreu com o soldado Freire, que acabou morrendo estupidamente nas mãos de um marginal. Se existisse a porta eletrônica, garanto que os bandidos não iriam arriscar cometer o assalto’’, comentou Burille.
A família do soldado Freire receberá do Governo Estado R$ 15 mil, pecúlio instituído no ano passado pelo governador Jaime Lerner. A esposa ganhará o salário integral do soldado, cerca de R$ 600,00. Caso haja a promoção do soldado para cabo, o salário a ser recebido pela viúva será acrescido de R$ 80,00, passando para R$ 680,00.

mockup