A Secretaria Municipal de Obras informou que o furto de cabos nas cerca de 300 praças municipais se tornou um problema tão crônico que já não existe mais estoque para religar a energia elétrica e devolver a iluminação. Tanto a Polícia Militar quanto a Prefeitura Municipal afirmaram ter ciência dos perigos noturnos em praças e espaços públicos de lazer mas pediram o apoio da população para coibir práticas criminosas, como tráfico e consumo de drogas e o vandalismo.
Em tom de desabafo, o secretário de Obras, Aloyisio de Freitas, lamentou os registros quase que diários de furtos de cabos e reatores das praças. ''Não temos mais estoque de material nem mais dotação orçamentária para comprar cabos. Ou a polícia vai para a rua para prender esses criminosos ou não temos mais condições. Ou vamos em cima do receptador ou prendemos os marginais. É uma distorção do sistema e temos que achar um caminho'', avaliou. Outra alternativa seria uma campanha de orientação da população para denunciar esse tipo de ação à polícia. Na madrugada de quinta-feira, por exemplo, 800 metros de cabos de cobre foram furtados da praça da Rua Michigan, no Jardim Quebec (Zona Oeste).
Segundo o secretário, uma saída seria a substituição dos postes convencionais por ''superpostes''. O problema é que cada unidade não sai por menos de R$ 12 mil. ''É mais caro, depende de projeto, mas o custo-benefício acaba compensando'', opinou.
O tenente Ricardo Eguedis, relações públicas do 5º Batalhão da PM, admitiu que alguns espaços públicos de convivência foram expropriados por marginais, que se aproveitam da falta de iluminação, mato alto e do abandono das edificações. ''Devido à falta de utilização pela comunidade, esses locais acabam sendo utilizados para outras coisas'', completou o policial. Ele assegurou que o policiamento, tanto preventivo quanto ostensivo, é feito regularmente mas orientou que a polícia carece de denúncias ao 190 para agir quando o crime está sendo cometido.
Eguedis citou a Praça Rocha Pombo como exemplo, onde a ação dos punguistas (batedores de carteira) foi controlada graças a ajuda de moradores e onde ocorrem frequentes prisões de traficantes. O tenente lembrou que a área do Zerão e dos lagos Igapó é patrulhada também por homens da polícia montada e Ambiental.
Sobre o problema da falta de conservação, o diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, contestou as reclamações e disse que a poda e limpeza das praças são feitas regularmente, conforme a necessidade. ''Diria que, no geral, a condição das praças é satisfatória, salvo naquelas que ainda não foram urbanizadas'', comentou. Ele ressaltou, no entanto, que a CMTU cuida de uma área de mais de cinco milhões de metros quadrados e não tem condições de manter um zelador ou segurança em cada espaço para coibir a ação de vândalos. ''O caminho tem que ser a parceria com a população através de associações de moradores e ONGs'', analisou. (L.A.)

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