Silvana Leão
De Londrina
Um arrombamento seguido de furto no Supermercado Dona Maria, no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), na madrugada de anteontem, terminou em confronto entre a Polícia Militar (PM) e moradores da região. Na perseguição aos ladrões, quatro policiais da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) invadiram a Lanchonete 2001, localizada em frente ao supermercado, do outro lado da PR-445. Frequentadores do local acabaram se rebelando com a ação.
Odair Roque Ferreira, 23 anos, que já tem passagem pela polícia, e Eudes Tavares, 21 anos, morador do Jardim Silvino, foram autuados em flagrante e encaminhados à Delegacia de Cambé, onde se encontram detidos. Uma terceira pessoa, que também teria participado do arrombamento, conseguiu fugir.
O dono da lanchonete, Odacir Caetano, e outros dois homens presentes no momento do tumulto – Marcelo Ferreira Godinho, de 26 anos, e Wagner Pedroso Coração, de 28 anos – foram autuados por desacato à autoridade e lesão corporal.
A ação da PM foi comandada pela sargenta Rosa Maria de Oliveira, que afirma ter sido agredida por Odacir Caetano e outros frequentadores do bar sem motivo. Segundo a sargenta, a equipe da Rone estava na região quando recebeu a informação do arrombamento, por volta da 1h20. ‘‘Logo em seguida vimos três pessoas atravessando a rodovia carregando sacolas cheias de mercadoria, que saíram correndo em direção à lanchonete ao verem a viatura.’’
Ela conta que duas das pessoas vistas com as mercadorias já estavam dentro da viatura quando Odacir Caetano se dirigiu aos policiais. ‘‘Ele começou a dizer que não podíamos fazer aquilo, que estávamos sendo arbitrários, e passou a incitar a população contra nós. Houve uma tentativa de arrebatamento (retirada violenta) dos detidos de dentro do camburão’’, diz a sargenta Rosa, contando que foi ferida no queixo quando atingida por uma cadeira.
De acordo com Rosa de Oliveira, não houve outra alternativa senão utilizar recursos como as balas antimotim (feitas de polipropileno, produzem forte barulho quando disparadas e estouram espalhando pequenas bolinhas), as granadas de efeito moral e a bomba de gás lacrimogêneo.
O proprietário da lanchonete e algumas pessoas que testemunharam o fato constestam a versão da PM, dizendo que os policiais já chegaram ao estabelecimento atirando e usando uma violência desnecessária.
‘‘Tinha muitas famílias aqui na hora, várias com crianças. Eu fui falar com eles para questionar o porquê de tudo aquilo e perguntar quem ia arcar com os prejuízos no bar. Eles me trataram mal e disseram que eu me virasse. Foi quando fiquei nervoso, peguei uma cadeira e atirei neles’’, conta Odacir Caetano. Ele também afirma que Eudes Tavares, um dos homens presos acusados do roubo, estava na lanchonete na hora do arrombamento e é inocente.Confronto, segundo a polícia, foi por causa de prisão de suspeitos; moradores contestam e dizem que PM ‘‘chegou atirando’’
Mário CésarVERSÃOO comerciante Caetano: ‘‘Tinha famílias aqui e a PM entrou atirando’’DEPOIMENTOAntonia de Araújo, gerente do supermercado que foi furtado

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