PM é julgado por morte de jovem
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Quase 11 anos depois do assassinato do estudante Luciano Salkovski, 20 anos, no bairro Boqueirão, em Curitiba, começou ontem o julgamento do tenente da Polícia Militar (PM) Demetrius Farias Lobo, acusado de ser autor da morte do rapaz. Luciano foi morto na noite de 18 de julho de 1995, com um tiro nas costas. Até o fechamento da edição, não havia saído o veredicto.
Naquela noite, o estudante de engenharia elétrica, seu irmão e dois amigos foram a uma lanchonete perto de casa. Os jovens ocupavam um Gol sem o vidro traseiro, por estar em conserto. Foi nessas circunstâncias que a viatura da PM, ocupada pelo tenente Demetrius e outros três PMs, abordou os rapazes, culminando com a morte de Luciano. O inquérito policial apontou que os policiais tentaram desqualificar a vítima, alegando que os rapazes portavam drogas e que Luciano estava armado e reagira atirando. Mas todas as versões foram descartadas.
Em sua defesa, o tenente afirma que minutos antes recebeu por rádio a comunicação de roubo de um carro semelhante ao dos rapazes. No escuro, viu o vidro quebrado do carro, mas não teria conseguido checar a placa do veículo. Ele afirma que a sirene da viatura foi ligada, mas os rapazes fugiram. Depois de percorrer quase 20 quadras, ele teria dado um tiro com o intuito de acertar um dos pneus do Gol, mas acabou acertando em Luciano.
O irmão da vítima, Fábio Salkovski, nega a versão. ''Tem depoimento de várias testemunhas que não ouviram nenhuma sirene'', diz. Ele sustenta, ainda, que os PMs sequer pediram por socorro e que foram vizinhos quem chamaram o Siate para levar seu irmão ao hospital.
Durante interrogatório ao réu, o juiz do 1º Tribunal do Juri, Fernando Ferreira de Moraes, questionou o procedimento da PM, que retirou os veículos do local antes da chegada da perícia técnica da Polícia Civil. Os veículos foram retirados do local e levados para o quartel da PM, onde foram descaracterizados. O juiz questionou, ainda, o desaparecimento de três armas, apreendidas na noite do crime, mas que foram subtraídas do processo.
Em seu depoimento, na parte da manhã, o tenente Demetrius negou que tenha sido responsável pela colocação da arma dentro do carro dos rapazes. Pela primeira vez, citou o nome de outro PM, seu superior hierárquico. ''Me vendo muito abalado psicologicamente, no intuito de me ajudar, o tenente determinou que policiais dessem um tiro no párabrisa da viatura e que um revólver fosse colocado embaixo do banco dos rapazes'', disse.
Segundo o advogado do réu, Elias Mattar Assad, essa mudança na versão do tenente não altera a estratégia da defesa. ''O que importa é ver a causa que levou à perseguição. Aqui, como nos Estados Unidos, quando um policial erra ele é culpado, mas quando acerta é o secretário de Segurança quem aparece. Esse rapaz é um mártir da segurança pública'', afirmou. (Colaborou Fábio Galão)


