PM é homenageado pela Assembléia
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Jacira Werle<br>Especial para a Folha 
A memória apresenta falhas. Os movimentos já não são tão ágeis. Aos 68 anos, o 2º sargento da reserva da Polícia Militar (PM) do Paraná, que guarneceu por quase duas décadas o trânsito na frente do Colégio Marista, recebeu mais um certificado para acrescentar ao currículo. A homenagem foi recebida em abril, da Assembléia Legislativa, por serviços prestados. Em entrevista à Folha, José Antonio de Oliveira, conhecido por ser rígido e cumpridor das regras, lembrou dos tempos em que exercia a função de guarda de trânsito.
O diploma dado pela Assembléia não pode ser pendurado no fardamento, ao lado da medalha de prata, recebida por 25 anos de trabalho sem punições, nem junto com a de ouro ganha por 30 anos de trabalho, mas enche de orgulho o policial que afirma sempre honrar a corporação e o próprio nome.
Aposentado desde 1987, uma das histórias mais curiosas que Oliveira foi protagonista é a de que ele se multou quando passou em um cruzamento com o sinal amarelo. O sargento, que estava acompanhado pelos filhos, foi criticado por ser tão correto mas estar fazendo algo errado. Na mesma hora, ele teria parado o carro e como estava fardado retirou o talão de multas e autuou a si próprio. ''O que mais vale é dar um bom exemplo'', assegura.
Nascido em Carlópolis (PR), Oliveira entrou para a PM aos 20 anos. ''Sempre quis ser policial'', afirma. Iniciou a carreira na Capital, mas logo foi destacado para Londrina. Trabalhou por 36 anos como policial, 18 desses orientou motoristas e cuidou da segurança de pedestres na frente do Colégio Marista (Zona Oeste).
Foi na frente do Marista que o sargento participou de uma história curiosa. Segundo ele, o sinal estava fechado e o carro parou em cima da faixa. Oliveira teria obrigado o motorista abrir as portas do carro e as crianças passaram por dentro do veículo já que este estava sobre a sinalização.
Depois de fazer curso de sargento, Oliveira passou a chefe de blitz. Ele conta que um dia estava em casa e recebeu um telefonema dos guardas que faziam uma barreira. Para a surpresa do sargento, os colegas avisaram que o filho dele teria sido flagrado dirigindo um carro cujo IPVA nunca havia sido pago. A ordem de Oliveira foi para que as regras fossem cumpridas. ''Se está fora da lei, prende e libera quando a situação for regularizada'', lembra. Resultado: o filho foi multado e teve o carro apreendido.
A pedido da Folha sargento Oliveira vestiu a farda, guardada desde a aposentadoria, e foi relembrar os velhos tempos pelas ruas do Conjunto Semíramis (Zona Norte) onde mora, mas dessa vez só como pedestre. ''Deu saudade de trabalhar, mas perdi o meu apito. Caneta e apito são as armas dos guardas de trânsito'', explica.


