Luciana Pombo
De Curitiba
Um confronto entre a Polícia Militar e comerciantes de municípios atingidos pelo lago da hidrelétrica de Salto Caxias marcou a manhã de ontem, em Curitiba. Os comerciantes chegaram na cidade por volta das 6h30 e ocuparam as calçadas que ficam em frente à sede administrativa da Copel, no bairro do Batel, em Curitiba. O presidente da Copel, Ingo Hubert, se reuniu com deputados estaduais e representantes dos manifestantes no final da tarde de ontem. Mas não houve acordo.
Segundo o dentista Rubem Foletto, um dos líderes do movimento, o comerciante Luiz Carlos Biesek, de 32 anos, ficou ferido e teve que ser encaminhado ao Pronto-Socorro do Hospital Universitário Evangélico. ‘‘Os policiais foram chegando com violência e pedindo para que os 450 comerciantes voltassem para os seus municípios. Como não saímos eles começaram a agredir os manifestantes com cacetetes, bombas de gás lacrimogêneo e espingardas com balas de borracha’’, relatou ele.
Foletto disse que os comerciantes não reagiram. ‘‘Nós não estávamos armados, queríamos fazer uma manifestação pacífica para pedir soluções para os problemas das famílias atingidas pela construção da hidrelétrica de Salto Caxias’’, disse. De acordo com ele, os manifestantes estão decididos a não saírem do local, mesmo mediante confronto com a polícia. ‘‘Queremos apenas uma solução para o nosso impasse, não iremos reagir aos ataques da polícia, mas temos o direito de fazer as manifestações que quisermos para que nossos direitos sejam respeitados’’, afirmou.
O comerciante Darci Fausto, de 36 anos, mostrou os ferimentos na perna, que teriam sido ocasionados por estilhaços de balas de espingarda da PM. ‘‘Eles me deram uma paulada nas pernas e jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo na minha direção. Quando fui me levantar para correr, eles atiraram e os estilhaços me atingiram’’, contou. Fausto disse que não esboçou qualquer tipo de reação. ‘‘Nunca passei por uma situação como esta, eu vim para cá para lutar pelos meus direitos e não para fazer guerra’’, desabafou. O comerciante tinha uma borracharia em Três Barras do Paraná, mas teve que fechar por causa da falta de movimento. ‘‘Fali e meus dois filhos que trabalhavam comigo estão desempregados’’, disse.
Hilário Cardoso, de 28 anos, comerciante de Nova Prata do Iguaçu, disse que também foi atingido por estilhaços das balas de espingarda. ‘‘Eles começaram a atirar até que ninguém ficasse perto da porta da Copel, depois fizeram uma fileira de policiais armados para impedir que montássemos barracas’’, afirmou.
O tenente Sérgio Satto, que comandou a operação, não quis contar quantos policiais participaram da ação para impedir o acampamento dos comerciantes, mas admitiu as agressões. ‘‘Levamos a quantidade necessária de homens e houve troca de agressões dos dois lados, cinco policiais ficaram feridos por causa das garrafas e pedras atiradas pelos comerciantes’’, argumentou ele. Satto disse que não tem conhecimento do uso de bombas de gás lacrimogêneo durante a ação. ‘‘Foi uma operação normal para a retirada dos manifestantes, usamos os meios necessários para que eles não acampassem’’, afirmou.
Os manifestantes querem indenizações para os comerciantes que vivem nos municípios de Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná, Boa Vista da Aparecida, Boa Esperança do Iguaçu, Cruzeiro do Iguaçu e Distrito de Alto Alegre. A Copel já indenizou cerca de 100 comerciantes que moravam até 1,5 metros do lago. Outros 23 comerciantes que estavam numa faixa de até 2 mil metros foram indenizados. ‘‘Queremos estender estes benefícios para uma faixa de até 4 mil metros’’, disse ele, alegando que muitos comerciantes tiveram que fechar as portas após a construção da hidrelétrica e que ex-funcionários estão desempregados.O dia começou com pancadaria em frente a Copel e terminou novamente sem acordo com o presidente da companhia, Ingo Hubert
José SuassunaTensãoPoliciamento foi reforçado em frente a Copel para evitar novo acampamento. Depois de um confronto inicial, situação se tranquilizou

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