PM é chamada para retirar sem-teto
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sexta-feira, 31 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
O grupo de 43 famílias que ocupa um terreno da Loteadora Tupy, na zona sul de Londrina, pode ser retirado com ajuda da Polícia Militar (PM) a qualquer momento. O terreno fica entre os jardins Itapuã e Franciscato e foi invadido há pouco mais de dois meses. O mandado de reintegração de posse seria entregue ontem à tarde pelo oficial de justiça Jairo Faustino ao 5º Batalhão da Polícia Militar (5ºBPM), solicitando reforço policial. Ele acredita que no início da semana o mandado seja cumprido.
Paralelamente ao pedido de reintegração de posse, o vereador João Dib Abussafi Filho (PRTB), filho de um dos proprietários do terreno, negociava com a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina e líderes da ocupação, outra solução para o caso: a compra ou permuta do terreno por parte da Cohab. O terreno tem cerca de 29 mil metros quadrados, avaliados em R$ 200 mil, e os sem-teto ocupam uma área de cerca de cinco mil metros quadrados.
Ontem, o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, esteve no local e disse que para a companhia fazer uma proposta precisa antes fazer uma avaliação da área, o que não levaria menos de um mês. ''Se acontecer a reintegração, não há mais porque ter acordo'', afirmou.
A advogada da loteadora, Sânia Stefani, disse que ''existindo um acordo entre as partes, o arquivamento ou a suspensão do processo pode ser solicitado a qualquer momento''. ''Mas não é de interesse da loteadora reverter a reintegração de posse, justamente porque não houve negociação'', explicou.
O líder da invasão, denominada Vila Feliz, Leonel Serafim Baião, de 35 anos, disse que as famílias não querem sair do local. ''Estamos tentando negociar com a Cohab e com os donos desde o começo'', disse.
Em outra invasão, no Jardim Marieta (zona norte), ocupantes de um terreno há quatro meses aguardam a decisão do juiz da 3 Vara Cível, Vitor Roberto Silva, sobre o pedido de reintegração de posse feito pela prefeitura. A decisão, que estava suspensa desde o final de julho para uma tentativa de conciliação entre as partes, sai na segunda-feira.
As 105 famílias que ocupam o local dizem que a maioria está desempregada e não tem para onde ir. ''O que a gente pode fazer agora é sentar e esperar a decisão do juiz e esperar que ele tome uma decisão pensando nas pessoas que estão aqui, que ele tenha mais humanidade que autoridade'', disse Andréa da Silva Camargo, de 24 anos. Ela ainda informou que mais pessoas estão procurando o local para conseguir um terreno.
É o caso de Marli Damaceno Silva, de 15 anos, e seu marido, Henrique Ramos Leite, de 30 anos, que chegaram há uma semana. ''A gente estava morando no fundo da casa de uma vizinha, no São Jorge (zona oeste), mas não deu mais certo e a gente veio para cá'', explicou. Ontem, com os móveis ainda ao relento, ela aguardava o marido construir um barraco de lona e madeira.


