Dorico da SilvaImpaciênciaVera Marvulle: ‘Pessoas deveriam ser mais compreensivas’A superlotação nos hospitais de Londrina acabou resultando em confusão anteontem à noite no Hospital Anísio Figueiredo, na zona norte. Cerca de 30 pacientes que aguardavam consulta na fila do pronto socorro se revoltaram com a demora no atendimento. A administração do hospital teve que chamar uma viatura da Polícia Militar para acalmar a população.
O atraso no atendimento se deu porque a equipe médica que estava de plantão teve que interromper as consultas para cuidar do paciente Ubiratan Araújo Carneiro, 73 anos, que chegou ao hospital em estado muito grave, com problema de cirrose hepática e apresentando hemorragia digestiva. Mesmo com apelos de médicos e enfermeiras pedindo a compreensão dos demais pacientes, a confusão acabou acontecendo.
Segundo a diretora-geral do hospital, Vera Marvulle, o paciente que chegou em estado grave morreu à noite. Ela ressalta que o Anísio Figueiredo não atende problemas de grande gravidade, mas assumiu o caso daquele paciente porque os hospitais terciários da Cidade estavam superlotados e não puderam recebê-lo. A diretora-geral ressalta que o paciente não teria sobrevivido, mesmo que tivesse sido tratado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ‘‘Era um paciente fora de possibilidade terapêutica.’’
Na opinião de Vera Marvulle, a população deveria ser mais compreensiva para atrasos como o de anteontem à noite. Para ela, trata-se de um problema cultural: ‘‘Ao invés de procurarem o posto de saúde, as pessoas vêm direto ao hospital’’.
Vera Marvulle esclarece que a demora no atendimento aos pacientes não tem relação com a falta de funcionários do hospital. A Folha publicou na edição de ontem reportagem sobre o problema enfrentado pelo hospital com a escassez de pessoal. ‘‘Ninguém deixou de trabalhar no plantão na noite de terça-feira, a equipe estava completa’’, ressalta a diretora. O que realmente tornou o atendimento mais lento, segundo ela, foi a necessidade de maior atenção ao paciente . ‘‘Tivemos de prestar-lhe atendimento intensivo.’’ No plantão trabalham três médicos, uma enfermeira e cinco auxiliares de enfermagem.
Com relação à reportagem sobre falta de funcionários, Vera Marvulle esclarece ainda que o Hospital Zona Norte tem espaço físico para atender 60 pacientes, mas que na verdade existem no local só 40 leitos. Enquanto outros hospitais sofrem com a superlotação, o hospital da Zona Norte tem espaço para mais 20 leitos, mas não pode ocupá-los porque não tem equipe para atender os pacientes internados.
A diretora observa também que, com a estrutura disponível, o hospital está atendendo em sua capacidade máxima, lembrando que só o espaço está ocioso, mas que os funcionários ‘‘estão trabalhando bastante’’. E ressalta: ‘‘As enfermarias não estão vazias. Só a pediatria tem vaga’’.
Vera Marvulle afirma que ontem, das 7 às 10 horas, foram atendidas 60 pessoas. A média de atendimento por dia é de 230. ‘‘Nós estamos assumindo pacientes que não são da nossa competência.’’ Ela adianta que há entendimento entre a 17ª Regional de Saúde e Secretaria Estadual de Saúde para realização de concurso público e contratação de novos funcionários. Mas não há ainda data para a realização do concurso.
Em entrevista concedida à Folha na tarde de terça-feira, um funcionário (que não quis se identificar) da Secretaria Estadual de Saúde informou que o concurso está mesmo previsto para o próximo semestre. Há dois dias a reportagem da Folha tenta confirmar a informação com o chefe da 17ª Regional de Saúde, Luiz José Neto, mas ele não é encontrado na sede da Regional e também não dá retorno aos recados deixados no órgão.

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