O mecânico José Carlos de Oliveira Santos, 27 anos, denunciou ontem ao Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina que foi espancado por um policial militar em Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio), onde reside. Ele registrou queixa na Delegacia de Polícia de Assaí, cujo delegado abriu inquérito para apurar o caso.
O episódio relatado por Santos aconteceu no dia 14 de dezembro, às 23h30. O mecânico contou que foi abordado pelo soldado Vilmar Geraldo Cardoso após sua Brasília derrapar na pista molhada por causa da chuva. Segundo ele, o policial lhe apontou uma arma e o algemou, agredindo-o no local da ocorrência.
Após apanhar, relatou, foi colocado em uma viatura policial e levado até a frente da casa do delegado Wilson Borsetti, que saiu na rua e o observou dentro do carro. Depois, foi encaminhado para a delegacia, onde foi novamente agredido pelo soldado e colocado em uma cela. O mecânico foi liberado só no dia seguinte. Segundo o rapaz, na noite da prisão, sua Brasília foi levada para a delegacia por Borsetti.
O capitão Edwaine Arduim, assessor de imprensa do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Cornélio Procópio, responsável por ocorrências em Nova América da Colina, informou que o soldado Cardoso não tem autorização para se manifestar, mas já foi ouvido e negou a agressão, confirmando apenas que notificou o veículo e conduziu José Carlos à delegacia.
Uma investigação preliminar foi instaurada pelo 18º BPM para apurar a participação de Cardoso no espancamento. Arduim informou que Nova América, com 3.585 habitantes, é uma cidade tranquila. ‘‘Lá é o paraíso, o índice de ocorrências é bem baixo.’’
O exame de lesões corporais realizado pelo Instituto Médico-Legal de Cornélio Procópio confirmou que o mecânico foi agredido. O delegado Maurílio Antônio Avelar, de Assaí, responsável pelo inquérito, disse que se for constatada a agressão dentro da delegacia, Borsetti também será responsabilizado. Ele ressaltou que Borsetti não é delegado de carreira e foi contratado como assistente de segurança.
Jorge Custódio, do CDH, disse que a entidade enviará um ofício à Secretaria de Segurança Pública e à PM de Cornélio Procópio, pedindo providências sobre o caso. A Folha procurou ontem, por diversas vezes, o delegado Wilson Borsetti, mas ele não foi encontrado na delegacia e nem retornou as ligações da reportagem.

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