Um soldado da Polícia Militar está sendo acusado por presos do 3º Distrito Policial de Londrina de atirar sem motivo contra os detentos, durante o banho de sol da última segunda-feira. O tiroteio registrado naquele dia foi explicado pela PM como reação a uma tentativa de fuga. Mas, segundo os detentos, um dos soldados que faziam guarda começou a atirar sem motivo, ferindo levemente cinco presos.
De acordo com o preso Jeferson André, o D.J., 33 anos, preso por assalto a ônibus, a PM está tentando abafar o caso. ‘‘Tá todo mundo sabendo o que aconteceu aqui, só que ninguém fala nada. O cara ficou louco e começou atirar sem motivo. Não dá para fugir durante o dia, com guarda armado em cima da plataforma. Só se for doido’’, afirmou. A informação foi confirmada extra-oficialmente por um investigador da Polícia Civil (que pediu para não ser indentificado). ‘‘É uma coisa de lógica’’, disse.
Segundo D.J., os presos estavam no pátio na segunda-feira, quando começou a chover. ‘‘A gente começou a entrar e alguém fechou a porta. Nessa hora, o cara (soldado) gritou: ‘Acabou a festa, ladrãozada (sic)’ e começou a atirar. Foi bala para todos os lados. Eu levei um tiro de raspão no rosto, mas se tivesse um pouco abaixado tinha acertado minha nuca’’, contou.
Segundo o major Manoel da Cruz Neto, comandante interino do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), os policiais realmente impediram uma fuga. ‘‘Quando foi determinado que os presos retornassem às celas, eles tentaram fazer uma pirâmide humana para escalar o muro. Com os disparos efetuados para o alto, eles caíram e se machucaram’’, explicou. De acordo com o major, foi instaurado um procedimento administrativo interno. ‘‘O delegado (do 3º Distrito, Marcelo Sakuma) fez a apreensão das armas para exames de balística e levou os presos para fazer exames de lesão corporal. Vamos esperar estes laudos para esclarecer tudo isso’’, afirmou.
Segundo o escrivão da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídios (VEP), Edson de Souza Galdana, o delegado encaminhou ofício pedindo providências. De acordo com o escrivão, a VEP vai apurar, junto aos órgãos responsáveis, o ocorrido.

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