PM é acusada de violência na desocupação
Emerson Cervi
De Curitiba
Os números oficiais da Polícia Militar mostram que a desocupação da Praça Nossa Senhora Salete não foi tão pacífica como assegurou o secretário Cândido Martins de Oliveira. Sete lideranças do MST e o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo foram presos e depois liberados. Dois policiais militares foram detidos em seus batalhões por terem agredido o repórter da Rádio Clube, Edson Thomaz. O jornalista apresentou queixa no 4º Distrito Policial por agressão e fez exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML). Enquanto acontecia a desocupação, nenhum civil pôde se aproximar do acampamento. Advogados e lideranças do MST tentavam furar o bloqueio da PM, quando Darci Frigo foi preso.
Quando foi liberado o acesso da imprensa e populares para acompanhar a demolição, simpatizantes do MST começaram a pedir que os funcionários da Cavo parassem de trabalhar. Isso é trabalho da polícia, deixem eles sujarem as mãos, gritava a aposentada Helena Jamibiski, 60 anos.
Para evitar que o trabalho fosse interrompido, os policiais fizeram um novo cordão de isolamento. Dessa vez, próximo aos barracos. À medida que as construções eram demolidas, a PM empurrava os populares para mais longe. Foi nesse momento que aconteceram as principais agressões. Bateram com o cacetete na minha barriga, reclamava a aposentada, entre lágrimas.
Integrante da Coordenação Nacional do Movimento em Favor dos Direitos Humanos, Narciso Pires, também disse que houve violência. Vou denunciar as arbitrariedades à Federação Internacional dos Direitos Humanos, dizia. Não vim aqui para impedir a desocupação, só acompanhar e fui covardemente atacado pela polícia.
Outro caso de excessos da PM foi o do repórter da Rádio Clube, Edson Thomaz. Ele estava entre os populares, transmitindo ao vivo o empurra-empurra, quando dois PMs retiraram o rádio-transmissor da mão do repórter. Edson também ficou sem o gravador. Só depois de meia hora me devolveram o gravador, mas sem a fita que registrava a agressão, afirmou. Achei que os soldados agiram errado e determinei o recolhimento imediato ao batalhão, disse o major Betes. A polícia não informou os nomes dos dois detidos.





