Observando áreas de maior incidência de violência, que as autoridades policiais identificam como polígonos vermelhos, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5ºBPM), major Marcos de Castro Palma, aponta em cada esquina do mundo problemas socioeconômicos e culturais como detonadores da criminalidade.
A ilustração sobre o panorama mundial foi um dos argumentos do comandante que recebeu ontem, em seu gabinete, representantes dos Conselhos Comunitários de Segurança de Londrina (Consegs).
Ele afirmou que a polícia não tem condições de estar em todos os lugares ao mesmo tempo - o que gera uma sensação de insegurança. O comandante se apresentou aos conselheiros e líderes comunitários como um técnico que se propõe a fazer um discurso ''pé no chão''. Palma buscou a colaboração de representantes da sociedade, entre os quais a dona Antonia Araújo. Mais do que representar o Conseg da Zona Sul e o comércio daquela região, dona Antonia é o retrato de muitos habitantes de Londrina.
''Queremos que as viaturas do Policiamento Ostensivo Volante (Povo) circulando nos bairros da nossa região. Somos vítimas constantes da violência. Tenho um comércio na Zona Sul, há 23 anos, e já fui assaltada 11 vezes. A gente não tem paz para trabalhar. Queremos pedir socorro e estender as mãos para a PM. Ontem, por exemplo, eu estava com três marginais no meu supermercado, que tinham acabado de assaltar um bazar. Sabia que eram marginais. Liguei de um telefone público, dizendo que estava com três suspeitos. Quando a viatura chegou, eles tinham ido embora'', desfabafou a mulher, silenciando os participantes da reunião.
A sensação de insegurança provoca o que Palma considera um absurdo ao ponto de professores de escolas ligarem para a PM, pedindo uma viatura para dar um susto em que não estariam mais do que desrespeitando a autoridade dos docentes.
Sem colocar panos quentes sobre o problema, o comandante afirmou que se os cidadãos são vítimas da violência é porque estão vulneráveis, mas que a comunidade deve se envolver com a questão. A situação apresentada por Palma ilustra um problema que poderia ser contido, antes de chegar à escola, com a preocupação dos pais em educarem melhor os filhos.
Do discurso à prática, os cerca de 800 mil habitantes da região metropolitana, compreendendo oito cidades, seis comarcas, dois BMs, uma Subdivisão da Polícia Civil (SDP) e um complexo penal, se sentem ameaçados e, cada vez mais, cobram a instalação de Consegs.
Na região, além de Londrina, Cambé (13 quilômetros a Oeste) e Ibiporã (14 quilômetros a Leste), as cidades de Bela Vista do Paraíso (40 quilômetros ao Norte) e Sertanópolis (40 quilômetros ao Norte) também estão se preocupando com a criação de conselhos.
Mas há uma dado importante levantado pelo presidente do Conseg da Zona Norte, Carlos Costa. A região tem cerca 150 mil habitantes. ''As contravenções na Área Central são diferentes das que acontecem nos bairros. A polícia tem que ter essa flexibilidade'', avaliou.
Partindo para reivindicações pontuais, o presidente do Conseg da Zona Sul, Salomão Barbosa Lacerda, pediu a istalação de um 7º Distrito Policial na região, alegando que, com a transferência do 6º DP para a sede da 10 SDP, os moradores contam somente com o 4DP para atender uma região com 135 mil habitantes.

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