PM desocupa três fazendas no Noroeste
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de maio de 1999
Dimitri do Valle 
A Polícia Militar realizou ontem o maior número de prisões de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desde o início das operações de desocupação na região Noroeste do Estado, no dia seis de maio. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, 13 homens foram detidos durante o cumprimento dos mandados de reintegração de posse das fazendas Arapongas, na cidade de Amaporã, e Ipê e Rancho Alegre, localizadas no município de Mirador. Entre 350 a 400 famílias foram retiradas das áreas pela PM.
Na fazenda Ipê, dois revólveres calibre 38 foram apreendidos. A Polícia encontrou ainda duas escopetas na fazenda Arapongas. Os presos responderão inquérito por porte ilegal de armas, formação de quadrilha, roubo de gado e equipamentos e resistência à desocupação.
O MST também informou que 40 famílias foram removidas ontem pela polícia das fazendas Belo I, Belo II e Belo III, no município de Querência do Norte. O assessor de imprensa da Secretaria de Segurança, Valdir Bicudo, garantiu, em Curitiba, que a polícia não participou destas desocupações. Segundo ele, as famílias teriam feito um acordo com o administrador da área, Gustavo Cota, e deixaram as fazendas por se sentirem desamparadas devido à ausência das lideranças do MST. Cota teria providenciado veículos para fazer a remoção dos ocupantes.
Já o delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, informou que policiais civis e militares estiveram nos despejos de Querência do Norte. O cabo Joeli Pereira de Jesus, da PM, confirmou a informação. Segundo Marli Brambila, uma agricultora ligada ao movimento em Querência, não houve prisões de lideranças nas fazendas Belo.
Ela informou que a polícia entrou de madrugada para retirar as famílias acampadas em Amaporã e Mirador. Marli disse que os agricultores sem-terra foram algemados e obrigados a ficar deitados no terreno úmido das áreas enquanto tinham as identidades cadastradas pelos policiais. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que as famílias foram levadas para seus locais de origem ou para casas de parentes nos municípios vizinhos.
O assessor de imprensa da Secretaria de Segurança disse que as operações iniciaram por volta das 6 horas e não houve violência por parte dos 410 policiais militares e civis que participaram do despejo. Cinquenta e duas viaturas deram apoio às ações, que foram acompanhadas por seis oficiais de Justiça. A Secretaria de Segurança Pública convocou dois médicos (um da cidade e o diretor do Instituto Médico Legal de Paranavaí) para examinar os 13 sem-terra presos ontem.
Até ontem à noite, todas as lideranças detidas permaneciam na Delegacia de Paranavaí. Desde o começo das operações, no dia seis de maio, já foram presos 35 agricultores ligados do MST na região Noroeste do Estado e desocupadas 14 fazendas. Segundo o auxiliar de carcereiro da Delegacia, Antonio Sérgio da Silva, os 13 sem-terra detidos ontem foram colocados nas mesmas celas em que estavam outros 22 agricultores do MTS presos anteriormente.
A Delegacia tem quatro celas, com capacidade para quatro presos cada uma. A PM entrega a bomba na nossa mão e não sabemos sequer identificar quais as áreas de origem deste pessoal, disse Silva, que apenas por volta das 17 horas de ontem distribuiu uma refeição aos presos - marmitex comprada por ordem do delegado.
Valdir Bicudo garantiu que as operações irão prosseguir. O governo tem outros 14 mandados de reintegração de posse para cumprir, diz o assessor. O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que onde tiver mandados de reintegração de posse, a polícia irá cumpri-los, informou Bicudo.


