Marcos NegriniPlanejamentoPMs,
viaturas e os
cachorros que
participaram
da operação
aguardam em
frente à
delegacia
de Paranacity;
policiais
também
bloquearam o
tráfego na
PR-467,
a 500 metros
da fazendaA Polícia Militar desalojou ontem 50 famílias de trabalhadores sem-terra que estavam acampadas na Fazenda Água Amarela em Jardim Olinda (135 km de Maringá). Não houve confronto armado, ninguém ficou ferido mas seis sem-terra foram presos e encaminhados para a Delegacia de Paranacity, a 69 km de distância. Segundo relatório da Secretaria de Segurança Pública divulgado no final da tarde, os sem-terra foram presos por porte ilegal de arma, invasão de terra e formação de quadrilha. A polícia apreendeu na fazenda um revólver, uma espingarda e munição.
As famílias foram embarcadas em seis ônibus brancos, sem nenhuma identificação, e levadas contra a vontade para Santo Antônio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão).
Nenhuma guarnição da PM na região Noroeste e nem o comando de Maringá (4º Batalhão) sabiam que haveria a desocupação. A imprensa foi informada pelas regionais da União Democrática Ruralista - UDR e do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST.
Às 4 horas de ontem, cerca de 300 policiais fortemente armados (metralhadoras, submetralhadores, espingardas calibre 12, revólveres e pistolas, além de cachorros policial e rotweiller) entraram na Fazenda Água Amarela em 37 viaturas - jipes da Patrulha Rural, camburões e caminhonetas da tropa de choque do COE (Comando de Operações Especiais) de Curitiba. Os soldados que não couberam nas viaturas usaram três ônibus da empresa Real, de Cianorte.
A PM levou para dentro da fazenda seis ônibus brancos, sem nenhuma identificação além da marca da carroceria (Volvo), e cinco caminhões. Os sem-terra não reagiram e obedeceram à ordem para deixar a fazenda, que fica às margens do Rio Paraná. A única informação que receberam é que seriam levados até Santo Antônio do Sudoeste, ‘‘querendo ou não’’, como informou o sem-terra Fernando da Silva, 17 anos, de dentro de um dos ônibus. Ao seu lado, estava sentado um PM à paisana, de óculos escuros. ‘‘Estamos indo à força’’, gritou Fernando.
Em Paranacity, seis sem-terra prestaram depoimento ao delegado Cláudio Marques. Henrique Sezibani, 60 anos, Vílson Krueger, 39, Vilmar Machado, 33, Adilgo Celeste da Silva, 48, Valdomiro da Silva, 36, e Francisco Luís de Oliveira, 56, não souberam informar à Folha a razão de suas prisões. Também não sabiam para onde suas famílias estavam sendo levadas.
Vílson Krueger afirmou que não houve violência durante a desocupação. ‘‘Eles chegaram às 4 horas, pediram pra gente sair, estavam armados até os dentes, e nós calmamente entramos nos ônibus. Estamos até agora sem comer nada, não sabemos por que estamos presos e nem para onde vamos’’.
Sem explicaçãoÀs 11 horas, segundo o major Obladen, do COE de Curitiba, que comandou a operação, eles foram levados para a 9ª Subdivisão Policial de Maringá. O major não quis explicar o porquê e nem os detalhes da desocupação. ‘‘A única coisa que posso informar é que estamos obedecendo ordens do comando central. Todas as informações que colhemos estamos repassando para o telefone 254-0700, de Curitiba. Esta foi a ordem que recebemos. Também não sei por que os sem-terra estão presos’’. Ele disse que não levava consigo a ordem judicial de reintegração de posse.
Depois da desocupação, os soldados e as viaturas foram para a frente da delegacia de Paranacity. Na hora de voltar para Curitiba, o major Obladen pediu que as viaturas fossem saindo aos poucos para não chamar a atenção.
A 500 metros da entrada da fazenda Água Amarela, dois carros de ronda da PM de Maringá bloquearam a estrada até a retirada de todos os sem-terra do local de ocupação. Houve engarrafamento e nenhum soldado soube explicar o motivo do bloqueio. Disseram apenas que a ordem de bloquear a PR-467, que liga Paranacity a Jardim Olinda, partiu do coronel Gilberto Kummer.

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