PM descobre plantação de maconha em viveiros
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quarta-feira, 14 de julho de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Santa Mariana Primeiro, um trecho de 15 quilômetros em uma estrada vicinal. Em seguida, outros três quilômetros de estrada de terra. Quase um quilômetro de uma trilha intrasitável por carro, onde só se chega, até certo ponto, de trator. Para completar, uma única alternativa: uma difícil caminhada, cortando plantações, matagais úmidos e barrancos íngremes.
Este recanto remoto da Fazenda Vencaia, no distrito de Quinzópolis, município de Santa Mariana, próximo a um córrego cercado por vegetação natural, abrigava uma horta diferente. Em pouco mais de dez metros quadrados, na terra roxa e fértil, cercada por milharais, bananais e canaviais, pelo menos três jovens decidiram formar uma plantação de maconha, descoberta ontem pela Polícia Militar. Ontem à tarde, os pés foram arrancados e queimados.
A aventura dos rapazes incluía até a preocupação com a qualidade da planta. Junto à pequena área, delimitada por tocos e arames, foi achada uma lona de proteção para evitar a formação de enxurrada, fenômeno que poderia comprometer a ''safra''.
Cinco metros barranco abaixo, quase à margem do córrego, outra estrutura parecida. Mais tocos, mais arames e outro pedaço de lona formavam um viveiro improvisado.
Neste ponto, os rapazes todos criados em um ambiente onde técnicas de como se lavrar a terra são passadas de geração a geração lançavam mão de expedientes da agricultura moderna. A terra era revolvida e misturada a fertilizantes. A irrigação com a água do córrego também era dosada.
Neste pequeno espaço cuidado como um jardim pelos rapazes, eram depositadas as sementes da maconha. Depois de uma atenção especial durante semanas, as sementes germinavam e quando o caule e a raiz já estavam fortalecidos o suficiente, as mudas eram transplantadas para a ''horta'', logo acima. Pelos cálculos do grupo, com mais um mês, os pés já poderiam atingir até dois metros, o triplo do porte alcançado até ontem. Com dois metros, a planta da maconha é desbastada e se regenera. A produção estaria garantida para os próximos meses.
Esta história só pôde ser contada graças a partir de uma ligação anonima à polícia, feita na quinta-feira passada, e do depoimento de um participante da aventura, já preso na cadeia de Santa Mariana. Após a denúncia, os PMs se dedicaram à localização da área. Já no domingo, uma equipe permaneceu de campana no local para surpreender os ''lavradores''.
Às 15h30, flagraram o agricultor Manoel Alberto Ferreira Lima, 25 anos, arrancando algumas folhas dos pés, ainda frágeis e de folhas pequenas. O rapaz foi preso em flagrante e será indiciado por tráfico de drogas, com pena entre 3 e 15 anos de detenção. Ele mencionou o nome de outros dois lavradores que se alternam entre o trabalho de bóia-fria e de arrendatários de terra que seriam os reais responsáveis pelo cultivo. Os dois são moradores de Quinzópolis e estão sendo procurados pela polícia.
Lima, que segundo a PM já passou por tratamento de desintoxicação em uma clínica para dependentes químicos em Cornélio Procópio, negou, com veemência, que já tivesse pensado em traficar a droga. Ele se admitiu um usuário frequente e disse que foi à plantação para recolher algumas folhas para o consumo próprio, tudo sob a autorização dos outros dois companheiros.
O delegado de Santa Marina, Nelson Misuta Aguilar, tentará ouvir o arrendatário e o proprietário das terras, que ontem não haviam sido identificados.


