A Polícia Militar de Campo Mourão descobriu ontem mais quatro esconderijos de peças de caminhões roubados. Dois deles são barracões no parque industrial, na saída para Goioerê. O terceiro é uma oficina na área central da cidade e o quarto é uma chácara na saída para Araruna. Num dos barracões, que deveria abrigar indústrias, também foram encontrados chassis enterrados. Na terça-feira, a PM já tinha descoberto um ‘‘cemitério’’ de caminhões numa chácara próxima à cidade.
As escavações na área começaram ainda de manhã, mas tiveram que ser suspensas porque foram encontrados produtos químicos enterrados. ‘‘Tivemos que parar para checar o risco de intoxicação’’, explica o capitão César Vinícius Kogut. O trabalho foi retomado à tarde com o auxílio de duas retroescavadeiras e com a supervisão do Corpo de Bombeiros. A área estava arrendada há um mês e o arrendatário não foi encontrado pela PM.
A polícia já tem informações de que existe pelo menos mais um ponto de desmanche de caminhões roubados em Campo Mourão. Os nomes de todos os suspeitos continuam em sigilo e a PM acredita que possam surgir novos envolvidos. Até ontem à tarde, os nomes de cinco deles estavam em mãos do Ministério Público. As prisões preventivas, no entanto, só devem ser pedidas depois que a polícia terminar a chamada ‘‘coleta de provas’’.
Do primeiro ‘‘cemitério’’, descoberto na terça-feira, a PM já identificou quatro caminhões roubados. Um deles era de São Gabriel da Palha (ES) e carregava a carga de café que foi encontrado junto com os pedaços de caminhões. A descoberta da origem da carga eliminou a suspeita de que as 252 sacas de café poderiam ser as mesmas roubadas de armazéns do Instituto Brasileiro do Café (IBC), em Jandaia do Sul, em maio.
Ameaça de morte O caminhão só pôde ser identificado porque a polícia encontrou na chácara a placa MPA-8377. ‘‘Foi a única coisa que restou do veículo’’, conta Kogut. De acordo com a polícia, a quadrilha roubava os caminhões para vender as peças. Os chassis eram enterrados para evitar a identificação dos veículos. Quando havia carga nos caminhões roubados, ela era vendida. É o que provavelmente iria acontecer, por exemplo, com as 252 sacas de café.
Todas as peças e chassis encontrados estão sendo levados para o pátio do 11º Batalhão da Polícia Militar. Vinte homens tiveram que ser contratos para ajudar no carregamento. Pelo menos outros 25 policiais trabalham na operação. Oficiais da PM contam que receberam ameaças de morte, por telefone, desde que a quadrilha começou a ser descoberta.

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