Lorena Aubrift Klenk
A Polícia Militar ainda não apresentou à Delegacia de Homicídios os policiais que participaram da operação que teria resultado na morte de dois jovens evangélicos que faziam vigília na Vila Conquista (Cidade Industrial de Curitiba), na noite de sexta-feira da semana passada. O delegado Stelio Machado acredita que os policiais confundiram os rapazes com ladrões de carros. Samuel dos Santos, de 18 anos, e Antônio Marcos Rocha, 22, foram mortos com tiros de escopeta e tiveram os corpos jogados no Rio Passaúna, a nove quilômetros do local do crime.
Os corpos só foram encontrados na tarde de segunda-feira. Segundo Machado, eles foram executados no alto do morro onde oravam - justamente o local para onde a PM se dirigiu à procura de três homens que haviam roubado um Tempra. A informação de que a PM foi para o local foi confirmada por um morador da região e por dois dos três assaltantes (o terceiro fugiu).
‘‘As evidências estão aí: os rapazes foram atingidos por escopetas no horário e local onde houve uma operação policial militar’’, disse o delegado. ‘‘Havia duas equipes da PM na região. Cabe ao comando descobrir e apresentar os responsáveis.’’
No 13º BPM, a acusação ainda é tratada como ‘‘suspeita’’. ‘‘Temos apenas indícios de que o fato envolveu policiais militares’’, disse ontem o subcomandante do Batalhão, major José Antônio Ferreira. Segundo ele, ‘‘de cinco a seis viaturas’’ deram apoio à operação na Vila Conquista, envolvendo ‘‘de 10 e 12 policiais’’.
Ferreira disse que foi aberto inquérito policial militar para apurar o caso. As viaturas e as armas utilizadas na operação estão sendo periciadas e os policiais em serviço na noite do crime deveriam ser ouvidos ontem. ‘‘Estamos num processo de eliminação, até chegarmos aos eventuais culpados’’, disse Ferreira. Segundo ele, por enquanto ninguém foi afastado do trabalho: ‘‘Precisamos de provas robustas para tomar providências’’.
O delegado disse que vai esperar mais alguns dias para que a PM apresente os suspeitos, do contrário irá intimar para depor todos os envolvidos na operação. Machado acredita que os dois evangélicos podem ter se assustado com a chegada da polícia e corrido, provocando a reação. ‘‘A confusão pode ter ocorrido no cumprimento do dever policial, mas ocultar os cadáveres no rio não pode ser justificado’’.
‘‘Não há justiça que repare o que aconteceu’’, disse a mãe de Samuel, a zeladora Maria Aparecida dos Santos, de 47 anos, que já teve um filho assassinado em 93. Segundo ela, há um ano o filho passou a frequentar a igreja Assembléia de Deus e pretendia se tornar pastor. ‘‘Ele deixou de estudar para orar e há uma semana passava as noites em vigília no morro’’, contou.

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