Há pouco mais de um ano, um acordo de paz entre grupos de criminosos colocou fim à disputa por poder entre gangues rivais na Zona Oeste de Londrina. Depois disso, os crimes na região diminuíram, a Polícia Militar intensificou suas ações e a população hoje se sente mais segura. Ontem, dando sequência à estratégia de asfixia adotada pelo Comando da PM, as ações se concentraram na
Rua Pantanal e nos jardins Nossa Senhora da Paz e Leste-Oeste.
Pontos de bloqueio de trânsito foram montados na Avenida Arthur Thomas, no Jardim Bandeirantes, para ''congelar'' a área e dar suporte ao trabalho tático desempenhado por cerca de 350 policiais divididos em viaturas da Rotam, Rotam Motos, Choque, Trânsito, Patrulha Escolar e Projeto Povo. Uma outra ''novidade'' da operação de ontem foi a presença do atual subcomandante do 5º Batalhão, major Júlio Richter, que participou ativamente das abordagens e patrulhamento. Ele prometeu ampliar ainda mais a atuação preventiva e ostensiva da corporação em Londrina.
No Nossa Senhora da Paz, uma situação mostrou que o tráfico continua dominando o cotidiano das famílias que ali residem. Eram pouco mais de 14h30 quando um Celta foi abordado dentro da comunidade. O motorista admitiu ser viciado em crack e que havia entrado no bairro para comprar a droga, como fazia todos os dias. Como nada foi encontrado, ele foi liberado após a revista. ''Olheiros'' também permaneciam de prontidão em pontos estratégicos.
No Jardim Leste-Oeste, situação semelhante. Três adolescentes foram abordados por uma equipe da Rotam Motos e com um deles foi encontrado o documento de uma moto. Na carteira, ele também guardava uma fotografia, onde um grupo de jovens posava diante de uma parede com as inscrições ''Primeiro Comando do Vila Rica'', simulando participarem de uma facção criminosa. No Nossa Senhora da Paz, a pichação ''PCB'' (Primeiro Comando da Bratac) pode ser vista em vários muros e paredes. ''Isso é coisa da molecada. Em todo lugar, eles picham essas coisas'', apontou um policial.
Dentro destas comunidades, ninguém se arrisca a conversar com a imprensa. Fora destas áreas de risco, no entanto, pessoas ouvidas pela FOLHA demonstraram aprovação da tática adotada pela Polícia Militar. ''Ainda falta mais segurança, mas já melhorou'', afirmou a diarista Fátima Aparecida. Sem se identificar, a gerente de uma loja de auto-peças na avenida Arthur Thomas disse que ''em relação ao que acontecia uns tempos atrás melhorou muito''. ''Hoje, a gente pelo menos vê os policiais passando na rua'', completou.

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