A Polícia Militar de Guarapuava iniciou na manhã de ontem a reintegração de posse de um terreno de aproximadamente 80 mil metros quadrados ao lado do loteamento Adão Kaminski, pertencente ao deputado federal eleito para a Assembléia Legislativa, Fernando Ribas Carli (PPB) e à família Mattos Leão. O terreno havia sido invadido por cerca de 80 famílias de sem-teto no dia 6 de outubro. Elas alegaram que estavam cansadas de morar de favores nas casas de parentes e amigos e que o terreno seria doado a eles pelo proprietário como promessa de campanha.
Segundo o tenente Lúcio Fortes Moreira Filho, que coordenou a ação de reintegração de posse, a desocupação deve se estender até segunda-feira, quando todas as famílias devem deixar a área. ‘‘O pedido de reintegração foi solicitado pela Imobiliária Santa Clara e o terreno já foi loteado e vendido’’, disse.
Mesmo com a proximidade do final do ano, o tenente acredita que as famílias saiam da área sem que seja necessário o uso de força policial. ‘‘Muitos invasores já se mostraram propensos a sair do local porque o terreno não é da prefeitura e estão cientes que estão ilegais’’, disse o tenente.
A decisão de ocupar o terreno ocorreu após uma reunião entre os sem-teto. No dia 6 de outubro, pela madrugada, eles invadiram a área e dividiram em 120 lotes de 11 por 20 metros, demarcaram as ruas e começaram a construir os barracos. O nome de cada ocupante foi registrado por um homem conhecido por Marcelo, que deveria encaminhar os nomes e os números dos lotes para a prefeitura doar o terreno em definitivo. Na época, alguns dos moradores até concordaram em pagar pelo terreno, como foi feito no loteamento Adão Kaminski, em que as famílias pagavam R$ 13,00 ao mês.
A Folha tentou falar ontem com o deputado Fernando Ribas Carli, com a família Mattos Leão, mas foi informada que estavam viajando. O advogado deles, Miguel Nicolau Júnior, também não foi localizado em Guarapuava.

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