O novo local para assentar as famílias que vivem na Favela Quati, zona norte de Londrina, deverá ser definido hoje. A remoção das famílias foi discutida ontem à tarde, após o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, ter ido ao local pela manhã para comunicar aos moradores sobre a ordem de cumprimento da reintegração de posse da área. O terreno está ocupado há mais de seis anos por cerca de 30 famílias.

Os moradores da favela ficaram surpresos e nervosos com o comunicado. Segundo eles, ninguém esperava que fosse determinada a reintegração ao proprietário da área. ''No começo a gente ficava esperando, mas o tempo foi passando e nada. Estávamos tranquilos. A Copel até fez ligação de energia recentemente'', reclamou Rosalina da Silva Santos, 31 anos, que mora com o marido e três filhos na invasão há cerca de cinco anos.

O presidente da Federação dos Moradores de Assentamentos de Londrina e Região, José Ricardo da Silva, também ficou surpreso. ''Eu mesmo nem sabia que a área estava na programação de ações. Esse assentamento existe há tanto tempo que nem sabíamos que havia problemas do tipo'', disse. Avisado pelo próprio comandante da PM, José Ricardo disse que a federação vai ajudar as famílias. ''Elas precisam de um local para morar, não podem ficar na rua'', afirmou.

Segundo o comandante, a comunicação aos moradores foi um compromisso assumido junto ao Centro de Direitos Humanos e Federação dos Assentamentos. ''Eu recebi a comunicação para cumprir a reintegração dessa área, mas tinha o compromisso de não trazer a tropa sem antes conversar com as famílias. E queria vir pessoalmente para ver a situação do pessoal, se há possibilidade de irem para outro local'', justificou. Segundo o tenente-coronel, é interesse da PM chegar a um consenso. ''Não queremos derrubar barracos e retirar o pessoal à força. Mas é preciso ficar claro que eu sou obrigado a cumprir a ordem judicial, de qualquer forma'', explicou.

De acordo com Rubens Guimarães, o prefeito Nedson Micheleti (PT) prometeu dar apoio às famílias através da Companhia de Habitação (Cohab) e da Secretaria de Ação Social. ''Ainda não sei o que poderão oferecer às famílias. Mas vamos nos reunir e tentar chegar a um acordo. Posso até dar um prazo para a saída das famílias, infelizmente curto. Mas preciso que saiam'', afirmou.

O diretor administrativo da Cohab, Augusto Dias Junior, informou que a companhia vai mapear o local para definir uma nova área. ''Já temos em mente um lugar com infra-estrutura, água, luz e escola próxima. Mas antes vamos cadastrar o pessoal'', disse. A secretária de Ação Social, Maria Luíza Amaral Rizotti, informou que será garantida atenção especial às crianças, oferecendo bolsa-escola às que estiverem em idade escolar.

Para os moradores, a maior dúvida é o que vai acontecer com eles depois. ''Ninguém fala que não vai sair. Só que temos que ir para algum lugar, não podemos ficar na rua'', reclamou Rosane Maria de Souza Rocha, 30 anos, que mora com o marido e três filhos no local há quatro anos. ''Tá todo mundo com medo. Ninguém sabe o que vai ser da gente'', confessou. (Colaborou Emerson Dias)

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