PM atua como infiltrado em quadrilha
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Jean PaternoApreensãoCarros recolhidos durante operação deflagrada pela Polícia Militar na região do lago de ItaipuO tenente Durval Tavares Júnior, 24 anos, hoje integrante do grupo Águia de operações especiais, da Polícia Militar, atuou até março deste ano como infiltrado numa quadrilha que roubava carros no Brasil e fazia o transporte deles para o Paraguai. A atuação do oficial, determinada pelo comando do grupo e da própria PM, resultou em prisões e identificação de quadrilheiros, inclusive policiais civis e militares. Outros policiais ainda estão sob investigação ou respondem processos administrativos.
Tavares, que comandou o destacamento da PM em Santa Helena, está sendo acusado por advogados do agricultor Reni Callegaro de tê-lo prendido irregularmente no início de março. De acordo com o flagrante, em um sítio de Callegaro, às margens do Lago de Itaipu, teriam sido encontrados carros roubados. A veracidade do flagrante é contestada por advogados do agricultor. Callegaro ficou preso até o início da semana, quando foi solto por ordem da Justiça para responder processo em liberdade.
O tenente disse que todas as ações de que participou fizeram parte da Operação Santa Helena. Callegaro seria a ponta de uma quadrilha que foi contatada por Tavares. O tenente conseguir contato com o brasileiro Osvaldo Figueiredo, que atua no Paraguai e é apontado como principal receptador de carros na fronteira. O contato inicial foi conseguido através de uma mulher de Foz do Iguaçu.
A mulher, amiga de Figueiredo, transmitiu a ele a informação de que o tenente queria atuar acobertando a passagem de carros. Depois, o próprio oficial telefonou ao receptador - a conversa foi gravada pelo Serviço de Inteligência da PM - oferecendo seus serviços.
Os dois mantiveram encontro no lago. O policial chegou a receber dinheiro (que entregou formalmente a superiores) para acobertar a passagem de um carro. Posteriormente, um policial civil, ligado a Figueiredo, citou Callegaro como envolvido.
O tenente diz que o próprio agricultor confirmou a ele, mais tarde, ser ligado à quadrilha. Um dos objetivos da PM era prender Osvaldo Figueiredo. Mas ele não caiu em várias armadilhas preparadas, relata o tenente.
O receptador teria então desconfiado que Tavares era um policial infiltrado. No entanto, outras prisões ocorreram, como a do ex-delegado de Santa Helena, Natálio Barbosa, além de três policiais civis e do mecânico Domingos Nichetti, todos sob acusação de envolvimento.
Depois de produzir um vasto relatório, Tavares desligou-se do comando do Destacamento, que havia assumido especificamente para a missão, e foi transferido para Curitiba. O tenente chegou a ser apontado na fronteira como integrante efetivo da quadrilha. Por isso, procurou à Folha para contar sua verdadeira participação. A versão dele é confirmada pelo comandos do Grupo Águia e do Policiamento do Interior da PM.


