Um provável erro de abordagem policial causou dez minutos de pânico para cinco pessoas, na madrugada de ontem, na Cidade Industrial de Curitiba. Elas estavam num táxi que foi alvejado por tiros vindos de uma viatura descaracterizada da P-2, serviço reservado da Polícia Militar. A história foi denunciada pelo taxista Ademir Morador, 31 anos. O taxista contou que recebeu uma chamada para atender quatro passageiros que tinham saído do trabalho, durante expediente noturno, e começou a ser perseguido por uma viatura descaracterizada da P-2, serviço especial da Polícia Militar. ‘‘O gol cinza começou a me perseguir e não tinha qualquer tipo de caracterização, tive medo e resolvi acelerar o carro’’, contou o taxista.
De acordo com Morador, a operação policial foi rápida. Em menos de dez minutos, os policiais teriam começado a atirar no táxi. ‘‘Foi um momento de pânico total, eu não sabia o que poderia acontecer comigo e com os passageiros do meu carro’’, afirmou. O taxista disse que foram dados cerca de 19 tiros em direção ao táxi e pediu providências da polícia para evitar novos problemas. ‘‘Um tiro acertou o ombro de um dos passageiros e outro o tanque de gasolina, o que poderia ter ocasionado um desastre ainda maior’’, alegou.
O perito do Instituto de Criminalística, Edimar Cunico, disse que os tiros foram efetuados por um revólver calibre 38 e uma pistola 9 milímetros. De acordo com Cunico, a intenção dos policiais foi atirar nos pneus para parar o carro. No entanto, ele admitiu que dois tiros poderiam ter provocado a morte de um dos passageiros ou a destruição do carro. ‘‘Tenho que admitir que os tiros poderiam ter matado ou incendiado o carro’’, afirmou.
Cunico disse que os projéteis do pneu foram retirados antes da avaliação pericial do carro. ‘‘Foi alterado o local, mas acredito que poderemos confirmar as circunstâncias da abordagem no laudo pericial’’, salientou o perito. De acordo com as informações de Cunico, o pneu foi arrumado por um borracheiro antes de ser encaminhado a perícia pelo próprio taxista. ‘‘Temos certeza que a alteração do carro foi apenas por ignorância’’, declarou.
O passageiro que ficou ferido durante a perseguição policial, Ênio César Gonçalves foi encaminhado para o Hospital do Trabalhador, onde foi atendido por uma equipe médica. Ontem, a reportagem da Folha tentou entrar em contato com ele, mas Gonçalves não quis dar declarações. O chefe do pronto-socorro do hospital, Vinícius Filipak, afirmou que o paciente estava bem e deverá ser liberado ainda hoje.

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