PM assassinado terá homenagem de formandos
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terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Lucilia Okamura 
Mário CésarRevoltaDileá com a foto do marido assassinado: réu confesso pode ser libertado por ser dependente de drogasO soldado da Polícia Militar Marcos da Silva Freire, morto durante assalto ocorrido em 30 de maio do ano passado, será homenageado amanhã, durante a formatura dos soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM). A cerimônia acontecerá às 9 horas, na sede do 5º BPM, na rodovia Celso Garcia Cid, zona sul de Londrina. O soldado será o nome da turma de formandos.
Marcos Freire, então com 29 anos, foi morto quando estava trabalhando no posto avançado do Banestado na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O assassino confesso, Evaldo Melo dos Reis, ao ser abordado pelo soldado, disparou à queima-roupa sua escopeta calibre 12 no rosto de Freire. O réu está detido.
A viúva do soldado, a professora Dileá Massimo Pires Freire, 33 anos, conta que ficou feliz com a lembrança dos formandos. Mesmo trazendo recordações tristes, a homenagem é uma forma de lembrarem dele com carinho, observa. Na opinião dela, a homenagem é também um reconhecimento pelo trabalho que ele desenvolvia. Ele adorava o que fazia e era muito dedicado.
Dileá Freire abriu, há cerca de um mês, uma academia de ginástica no Residencial do Café (zona norte), próximo à casa dela, para poder sustentar os três filhos (uma menina de nove anos e dois garotos de cinco anos e dois anos e quatro meses - os dois últimos são filhos do soldado). Ela conta que nos últimos três anos cuidava somente da casa e dos filhos.
Mas a principal dificuldade, segundo a professora, é a falta que Marcos Freire faz aos filhos, principalmente ao menor. Ele sempre pergunta do pai e eu não sei o que responder porque ele ainda é muito pequeno para saber o que aconteceu, afirma. Dileá Freire diz que Marcos era bastante carinhoso com os filhos.
Sobre um laudo emitido por duas psicólogas de que o assassino confesso é dependente de drogas e, portanto, inimputável (não responsável por seus atos diante da Justiça), Dileá Freire diz que é revoltante. Esse laudo não me convence. Acho um absurdo ele matar uma pessoa e poder ficar livre. Após passar por tratamento no Instituto Psiquiátrico de Curitiba, o réu poderá ficar livre, segundo o promotor da 3ª Vara Criminal, Sérgio Correa Siqueira.
O laudo psicológico está anexado ao processo que corre na 3ª Vara Criminal, referente a tráfico de drogas. O promotor Sérgio Correa Siqueira informa que pedirá novo laudo, mas desta vez para o processo que apura o assalto à pizzaria Hut - crime que Evaldo dos Reis também confessou. A ação sobre o assalto ao Banestado, segundo o promotor, deve ser iniciada em breve.


