A partir de denúncias recebidas no início da madrugada de ontem, equipes da 2ª Companhia da Polícia Militar de Ivaiporã interceptaram uma carga de 5,4 toneladas de café e um lote de 18 bovinos que estavam saindo da Fazenda ‘‘7 Mil’’, em Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana), ocupada há mais de três anos pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Na operação foram presos em flagrante os sem-terra Ireno Albrecht Drochnow, 49 anos; Adilson Pedro Guerrezi, 27 anos; e Valdinei Valim Cardoso, 22 anos. O menor I.R.S., 16 anos, dirigia um caminhão foi liberado pelos policiais.
Além do café e dos animais, os policiais apreenderam um caminhão Mercedes-Benz, modelo 1314, placa AFK-3415 (Pitanga); e uma caminhonete Ford Pampa, placa ADX-4182 (Pitanga). Os dois veículos são de propriedade da Cooperativa de Produção e Comercialização Agrária, ligada ao MST. O outro caminhão, que transportava o gado, Mercedes- Benz, placa AEX-8577 (São João do Ivaí), pertence a um agricultor de Godoy Moreira.
O delegado de Ivaiporã, Gabriel Junqueira Filho, informou ontem que os três sem-terra foram autuados em flagrante por furto e permanecem presos na cadeia local, à disposição da justiça. ‘‘O pedido de arbitramento de fiança e liberdade provisória deles vai depender do juiz criminal’’, disse Junqueira.
Após o recebimento da denúncia, a Polícia Militar bloqueou várias estradas que dão acesso a Arapuã e conseguiu interceptar, pouco depois da meia-noite, um caminhão Mercedes-Benz com gado que teria saído da ‘‘7 Mil’’. Todos os animais estavam deitados na carroceria do veículo, com as patas amarradas. ‘‘Certamente quem transpotava os animais desejava escondê-los’’, avaliou o tenente Francisco, que comandou a equipe. Uma hora após, a mesma equipe interceptou outro caminhão, carregado com 164 sacas de café em coco.
O advogado Elso Bittencourt que presta assistência ao MST na região disse ontem à Folha que os sem-terra são responsáveis apenas pela carga de café. Com relação ao gado apreendido, ele sustenta que ‘‘nada têm a ver com a Fazenda 7 Mil’’.
Bittencourt justificou que os sem-terra ocupam a área há mais de três anos e ‘‘estão usufruindo do seu trabalho’’. ‘‘Para nós não é crime colher e vender o café que foi cultivado por eles’’, argumentou o advogado, anunciando que está encaminhando o pedido de arbitramento de fiança dos três sem-terra presos em Ivaiporã. Segundo Elso Bittencourt os três são do assentamento Nova Itaúna, em Manoel Ribas.

mockup