PM apreende araucária extraída de assentamento
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quarta-feira, 24 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A 2 Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel), apreendeu na madrugada de ontem um caminhão na PR-473 carregado com 44 toras de pinheiro araucária, árvore símbolo do Paraná que resiste em apenas 1% de sua área nativa original. O condutor Benício Giusti, 54 anos, foi detido porque não apresentou a documentação de autorização do transporte. A madeira, segundo a PM, teria sido extraída do Assentamento Celso Furtado.
Em depoimento, o caminhoneiro declarou que a carga teria sido retirada do assentamento na noite anterior e que o destino seria uma madeireira do município de São Jorge do Oeste, onde as toras seriam beneficiadas. Como Giusti não apresentou a documentação exigida para realizar o transporte da madeira, ele vai responder a termo circunstanciado por transporte irregular de vegetais e ainda está sujeito ao pagamento de multa que varia de R$ 300,00 a R$ 500,00 por metro cúbico. A Folha tentou contatar por telefone alguma liderança do assentamento mas ninguém foi localizado.
O carregamento foi encaminhado para a Polícia Ambiental em Boa Vista de Aparecida, onde o soldado Alan Ricardo Gonçalves detalhou que as toras teriam sido retiradas ilegalmente da área do assentamento, que conta com trechos nativos e outros de reflorestamento. Beneficiada, o metro cúbico da araucária pode render até R$ 900,00. A carga apreendida deveria render aproximadamente 7,5 metros cúbicos. Todo o carregamento será mantido sob a guarda do Estado e a Justiça vai decidir qual sua destinação final.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, explicou que por causa da exploração desenfreada ao longo de décadas, existe atualmente no Estado apenas algo em torno de 1% do ecossistema nativo original, o correspondente a cerca de 60 mil hectares. De acordo com ele, a legislação permite que o agricultor retire cinco metros cúbicos de araucária reflorestada de sua propriedade a cada cinco anos. ''Fora isso, o corte é criminoso'', apontou.
O biólogo especializado em espécies nativas, Henrique Garcia Rocha, detalhou que o pinheiro de araucária ocorre em áreas de planalto, a partir dos 600 metros de altitude. Ele comentou que, além da importância histórica como símbolo do Paraná , a árvore também deve ser preservada porque é fonte de alimento para diversas espécies de animais e aves.
Crimes contra a natureza podem ser denunciados ao Disque Força Verde, do Batalhão de Polícia Ambiental. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer lugar do Paraná pelo telefone 0800 643 0304.


