O uruguaio Julio Cesar Dutra Fonseca, 56 anos, foi preso ontem por volta das 6 horas no Terminal Rodoviário de Londrina (Área Central) com 20 mil ampolas, 16 mil comprimidos e cerca de 200 frascos de anabolizantes. Ele chegou em um ônibus de Foz do Iguaçu. Originalmente, os produtos seriam de uso veterinário, mas a hipótese mais provável é de que seriam comercializados em academias de ginástica, para ganho de massa muscular em humanos.
O flagrante ocorreu durante operação de rotina do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) na rodoviária. Diariamente, são vistoriados no terminal ônibus vindos de Foz do Iguaçu e Guaíra, municípios que estão na rota do tráfico de drogas. ''É a primeira vez que apreendemos anabolizantes nessas operações'', afirmou o segundo-tenente Marcelo Barros do Nascimento.
A mercadoria estava guardada em três sacolas: uma próxima a Fonseca e as demais no bagageiro. Os comprimidos estavam distribuídos em 800 cartelas com 20 comprimidos cada, e as ampolas em embalagens de 10 unidades. A maior parte dos produtos era da marca comercial Winstrol, do esteróide stanozolol. Segundo Nascimento, o valor especulado para venda de cada ampola chegaria a R$ 150,00. ''Provavelmente são anabolizantes produzidos no Paraguai. Aqui no Brasil, esses produtos são proibidos até mesmo para uso veterinário'', explicou.
Fonseca alegou que, ao ser contratado para trazer a mercadoria de Foz para Londrina, foi informado apenas de que os produtos seriam usados em animais. ''Não sabia que eram irregulares. Eu compro roupas em São Paulo para revender em Foz, e aproveitei as viagens para fazer esse serviço. Iam me pagar R$ 250,00'', disse. Ele afirmou que desconhecia a pessoa para quem iria entregar a mercadoria em Londrina. O receptador não foi encontrado pela polícia.
O uruguaio foi indiciado por crime de descaminho e está detido na sede da Polícia Federal (PF) em Londrina. De acordo com o delegado-chefe da PF, Sandro Vianna dos Santos, a última apreensão desse tipo de mercadoria ocorreu em novembro do ano passado, após investigações que indicaram a comercialização de anabolizantes em academias da cidade.
Segundo o farmacêutico Valdomiro Chammé, os anabolizantes são hormônios geralmente sintéticos, derivados de testosterona que, a princípio, possuem funções médicas. Segundo ele, a nandrolona, por exemplo, é recomendada para idosos com declínio de produção do hormônio masculino ou com perda de massa muscular e de cálcio. Esta substância e a eritropoietina, que aumenta os glóbulos vermelhos no sangue, são facilmente encontradas em farmácias brasileiras, mas têm venda controlada.
''Muitas substâncias que eram usadas para situações de enfermidades sexuais, como frigidez, começaram a ter o uso cada vez mais controlado depois que frequentadores de academias descobriram que elas podiam aumentar a massa muscular'', comentou Chammé. O farmacêutico alertou que o uso constante de anabolizantes pode acarretar a diminuição do tamanho dos testículos, impotência, câncer de fígado, desequilíbrio nos níveis de colesterol e dependência química.

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